A Stellantis anunciou nesta terça-feira (9) uma convocação global de recall que atinge mais de 1,3 milhão de utilitários esportivos (SUVs) e picapes da marca Jeep. O motivo do chamado é um defeito de engenharia que apresenta riscos reais de incêndio espontâneo nos veículos. Como medida de precaução emergencial, a montadora orientou formalmente que os proprietários estacionem seus automóveis em ambientes abertos (ao ar livre), mantendo distância segura de edifícios, residências e de outros veículos até que o reparo seja devidamente executado.
De acordo com o relatório técnico protocolado pela companhia junto à Administração Nacional de Segurança Rodoviária dos EUA (NHTSA), a falha atinge os modelos Jeep Wrangler e Jeep Gladiator, fabricados entre os anos-modelo de 2021 e 2025. O defeito está localizado em uma conexão elétrica na fiação da bomba do sistema de direção eletro-hidráulica.
A Stellantis — conglomerado automotivo que também controla marcas como Fiat, Peugeot, Citroën e Chrysler — detalhou que uma conexão frouxa ou mal ajustada nesse circuito pode desencadear o derretimento dos componentes internos. Em circunstâncias específicas, esse superaquecimento atinge materiais combustíveis adjacentes, originando focos de incêndio no compartimento do motor.
O balanço estatístico divulgado pela montadora aponta o tamanho da operação de segurança em escala internacional. Até o momento da publicação do comunicado, os engenheiros da Stellantis identificaram ao menos 72 registros de campo e relatórios de assistência técnica relatando incêndios potencialmente associados à falha estrutural, além de uma ocorrência com ferimento.
A distribuição do volume de veículos convocados para a inspeção está dividida da seguinte forma entre os mercados:
| Mercado / Região | Volume de Veículos Afetados |
| Estados Unidos | 1,08 milhão |
| Canadá | 106.000 |
| Outros Mercados Globais | 125.000 |
| México | 23.000 |
O anúncio é o desdobramento de uma fiscalização regulatória que ganhou força em setembro de 2024, quando a NHTSA instaurou uma investigação preliminar sobre o superaquecimento do motor em 800 mil Jeeps. À época, o órgão regulador norte-americano alertou que o curto-circuito na fiação da direção hidráulica poderia deflagrar chamas mesmo com o veículo totalmente desligado e estacionado na garagem.
Os documentos apontam que a Stellantis chegou a abrir uma apuração interna entre 2023 e o início de 2024, mas arquivou o processo temporariamente devido ao baixo índice de queixas. O cenário mudou em agosto de 2024, quando uma nova escalada de ocorrências forçou a reabertura do caso.
Para determinar a causa raiz do problema e chancelar o defeito latente em maio de 2026, o time de engenharia de materiais da montadora realizou um pente-fino laboratorial ao longo de um ano. O processo envolveu a recompra e devolução de automóveis sinistrados para a fábrica, além do uso de tomografias computadorizadas, exames de raios-X e ensaios metalúrgicos complexos nas peças.
O plano de contingência estipulado pela montadora consistirá na inspeção gratuita da fiação do lote convocado. Caso seja constatada a inconformidade, as concessionárias autorizadas farão o reparo ou a substituição integral do chicote elétrico e da bomba elétrica de direção. A Stellantis informou que está agilizando a cadeia de suprimentos de autopeças e projeta concluir toda a logística de correções e agendamentos até o mês de julho de 2026.
