Agtech alemã capta R$ 106 milhões para ajudar o agro brasileiro a usar menos fertilizante

A Stenon, agtech alemã especializada em análise de solo em tempo real, captou € 18 milhões em rodada Série B, o equivalente a cerca de R$ 106 milhões. Os recursos serão usados para acelerar o desenvolvimento de produtos e ampliar a presença da empresa em mercados estratégicos, com o Brasil entre as prioridades.

A rodada foi liderada pela Pymwymic, gestora europeia voltada a investimentos de impacto em alimentos e agricultura. O aporte também teve participação do DeepTech & Climate Fonds, fundo alemão focado em empresas de deep tech, além de investidores que já estavam na base acionária da companhia.

A Stenon atua com tecnologia para medir diretamente no campo o nitrogênio disponível para as plantas. A proposta é apoiar decisões sobre dose, momento e local de aplicação de fertilizantes, reduzindo desperdícios e melhorando a produtividade das lavouras.

Brasil é prioridade para expansão

O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, segundo o Plano Nacional de Fertilizantes. No caso dos nitrogenados, a produção nacional representava apenas 8% do consumo em 2023, de acordo com análise do Insper citada pela empresa.

Essa dependência torna o manejo do nitrogênio uma questão cada vez mais estratégica para produtores, cooperativas, revendas e consultorias agrícolas. Com preços sujeitos a câmbio, logística internacional e oferta global, usar melhor cada quilo de fertilizante passou a impactar diretamente a margem do produtor.

“Quando o nitrogênio está caro ou limitado, cada aplicação imprecisa vira custo, risco e perda de eficiência. Produtores e distribuidores brasileiros não controlam câmbio, preço internacional ou disponibilidade global de fertilizantes, mas podem controlar com muito mais precisão como cada quilo é usado”, afirma Niels Grabbert, fundador e CEO da Stenon.

No país, a empresa concentra operações em Goiás, Mato Grosso, Paraná e São Paulo, estados onde o custo dos fertilizantes e a necessidade de dados atualizados sobre o solo têm impacto direto na rentabilidade das lavouras.

Tecnologia mede solo em tempo real

A principal solução da Stenon é o FarmLab, plataforma que combina sensores ópticos e elétricos próprios, inteligência artificial, modelos agronômicos e software em nuvem.

Diferente da análise tradicional, que exige coleta de amostras e espera por resultados de laboratório, a tecnologia permite medir o solo diretamente no campo. Com isso, o produtor pode monitorar a área com mais frequência e ajustar a fertilização conforme as variações dentro da lavoura.

A empresa mede o nitrogênio mineral disponível para a planta, conhecido como Nmin, e cruza essa informação com carbono orgânico do solo e outros indicadores. Esses dados ajudam a orientar decisões agronômicas e também podem apoiar iniciativas ligadas a créditos de carbono.

Segundo a Stenon, não há hoje outra tecnologia comercial disponível capaz de medir o nitrogênio disponível para a planta diretamente no campo na mesma escala.

Clientes relatam redução no uso de fertilizantes

Com base em casos de clientes em diferentes países, a Stenon afirma que sua solução já permitiu reduzir entre 20% e 40% o uso de fertilizantes nitrogenados.

A empresa também relata ganhos de produtividade entre 2% e 8% em culturas como milho, feijão, algodão, cana-de-açúcar, café, grãos e hortaliças.

Para produtores, o ganho potencial está em aplicar fertilizante com mais precisão, evitando tanto o excesso quanto a deficiência de nitrogênio. Para distribuidores e consultorias, a tecnologia cria uma base de dados mais atualizada para recomendações técnicas.

Próximo passo é integrar dados a máquinas agrícolas

Parte dos recursos captados será usada para ampliar equipes comerciais, agronômicas e de suporte na América do Sul. A empresa também pretende investir em calibração regional, adaptação a diferentes solos, culturas e sistemas produtivos.

O plano mais ambicioso está na evolução tecnológica do FarmLab. A Stenon quer transformar o sistema portátil de sensoriamento em uma plataforma de inteligência de nutrientes integrada a máquinas agrícolas.

A ideia é fornecer dados em tempo real no ponto em que as decisões de fertilização são tomadas. A empresa afirma que essa frente vem sendo desenvolvida de forma confidencial há alguns anos, com base nos sensores, dados e modelos de IA do FarmLab.

“O FarmLab comprovou que dados de alta qualidade sobre nitrogênio e carbono orgânico do solo podem ser gerados diretamente no campo. O próximo passo é tornar essa inteligência mais contínua, mais integrada e mais acionável para operações agrícolas de grande escala”, afirma Jens Meichsner, CTO da Stenon.

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