Telemedicina evita 9 em cada 10 idas ao pronto-socorro e poupa R$ 7,4 milhões por mês

Uma operação de pronto-atendimento virtual conduzida pela Dr. Online em parceria com a Central Nacional Unimed registrou 91% de resolutividade em mais de 100 mil consultas realizadas durante um trimestre. Na prática, nove em cada dez pacientes tiveram a demanda solucionada sem necessidade de encaminhamento ao pronto-socorro.

Segundo levantamento da healthtech, o modelo gerou uma economia estimada em R$ 7,4 milhões por mês para a operadora. O retorno calculado foi de R$ 5,08 para cada real investido na estrutura digital.

Os resultados mostram como a telemedicina pode ser usada para atender casos de menor complexidade antes que eles cheguem às unidades presenciais. Além de reduzir custos, a estratégia busca evitar a superlotação dos prontos-socorros e preservar a capacidade de atendimento para situações realmente urgentes.

“Acesso sem resolutividade apenas transfere o custo de lugar. O beneficiário acaba indo ao pronto-socorro depois e a operadora paga duas vezes”, afirma Dennis Pedroso, diretor executivo-geral da Dr. Online.

Paciente chega ao médico em menos de três minutos

O modelo permite que o usuário fale diretamente com um médico, sem passar obrigatoriamente por uma etapa anterior de triagem. O tempo médio de espera ficou em 2,9 minutos, enquanto 88,1% dos atendimentos começaram em menos de cinco minutos.

A proposta é simplificar a jornada do paciente e reduzir o intervalo entre a solicitação e a avaliação clínica. Em serviços convencionais, diferentes etapas de cadastro, classificação e encaminhamento podem prolongar o atendimento mesmo em quadros simples.

Para a Dr. Online, o acesso rápido contribui para aumentar a chance de resolução dentro do próprio canal digital. Caso o profissional identifique sinais de maior gravidade ou a necessidade de exame físico, o paciente pode ser direcionado para uma unidade presencial.

“Quando você tira camadas desnecessárias e coloca o paciente diante de um médico em menos de três minutos, muda a experiência e a resolutividade ao mesmo tempo”, diz Pedroso.

Economia depende de atendimento realmente resolutivo

A redução de custos não decorre apenas da substituição de uma consulta presencial por outra virtual. Para que a operação gere economia, o atendimento remoto precisa solucionar a demanda e evitar uma nova consulta logo depois.

Quando o paciente utiliza a telemedicina, mas ainda precisa procurar um pronto-socorro pelo mesmo problema, a operadora arca com os dois atendimentos. Por isso, a taxa de resolutividade se tornou um dos principais indicadores para avaliar o desempenho financeiro da modalidade.

De acordo com os dados divulgados pela empresa, a combinação entre o custo da plataforma e os atendimentos presenciais evitados produziu a economia mensal de R$ 7,4 milhões.

O cálculo considera a operação da Dr. Online com a Central Nacional Unimed e não necessariamente representa o resultado que seria obtido por todas as operadoras. Fatores como perfil dos beneficiários, volume de consultas, estrutura da rede e tipos de casos atendidos podem alterar a economia.

Atestados acima de um dia ficaram próximos de 1%

Outro dado apresentado pela operação envolve a emissão de atestados. Apenas 1,01% dos atendimentos resultou em afastamento superior a um dia.

A informação busca responder à percepção de que consultas digitais poderiam facilitar a obtenção de documentos sem avaliação adequada. Segundo a healthtech, a combinação de protocolos clínicos, profissionais qualificados e acompanhamento reduz esse risco.

“Existe um mito de que telemedicina é sinônimo de atestado fácil. Quando há médico qualificado e protocolo clínico, o atestado volta a ser uma decisão clínica”, afirma o executivo.

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