Healthtech capta US$ 33 milhões para levar agentes de IA aos hospitais da América Latina

A Telepatia AI levantou US$ 33 milhões em uma rodada Série A liderada pela Andreessen Horowitz, a a16z, uma das principais gestoras de venture capital do Vale do Silício. Com o aporte, a healthtech chega a US$ 42 milhões em financiamento total.

O capital será usado para acelerar a expansão da empresa na América Latina. A plataforma clínica da Telepatia já opera em mais de 20 sistemas hospitalares no Brasil, na Colômbia, na Argentina, no Chile e no México, atendendo mais de 14 milhões de pacientes.

Entre os investidores-anjo da companhia estão Shyam Sankar, CTO da Palantir; Simón Borrero, fundador da Rappi; e David Vélez, fundador do Nubank.

Plataforma funciona como copiloto para médicos

A Telepatia desenvolve agentes de inteligência artificial para apoiar médicos durante o atendimento. A plataforma acompanha consultas, transcreve automaticamente o encontro, estrutura o prontuário e sugere condutas com base em evidências, diretrizes clínicas e protocolos de cada instituição.

Com isso, a proposta é reduzir tarefas administrativas, ampliar a produtividade dos profissionais de saúde e dar mais visibilidade aos hospitais sobre suas operações clínicas.

A empresa começou com uma IA Redatora, voltada à transcrição e estruturação de prontuários, e ampliou a plataforma para incluir IA Conselheira, IA Enfermeira e IA Auditora. Os agentes são integrados a diferentes fontes de dados clínicos.

Desde o lançamento comercial, em julho de 2025, a Telepatia afirma ter alcançado 90% de adoção institucional, com médicos usando o produto, em média, oito horas por dia. Segundo a companhia, a adesão a protocolos subiu de 84% para 99%, e os médicos economizam, em média, 1,7 hora por dia.

América Latina vira foco da tese

A Telepatia aposta que a América Latina pode avançar mais rapidamente no uso de IA clínica por causa da pressão estrutural sobre os sistemas de saúde.

A região reúne um mercado estimado em US$ 700 bilhões e mais de 700 milhões de pessoas, mas ainda enfrenta limitações de infraestrutura e escassez de profissionais. Brasil e Colômbia têm cerca de dois médicos por mil habitantes, metade da média dos mercados desenvolvidos, segundo dados citados pela empresa.

Na região como um todo, há 43% menos médicos e 65% menos enfermeiros per capita do que em países da OCDE.

Esse cenário amplia a demanda por ferramentas capazes de aumentar a capacidade de atendimento sem depender apenas da contratação de novos profissionais. Na visão da Telepatia, a IA pode ajudar médicos, enfermeiros e equipes clínicas a lidar com maior volume de pacientes e mais complexidade operacional.

IA pode acelerar modernização hospitalar

A plataforma foi incubada em Stanford e treinada com literatura revisada por pares, diretrizes clínicas nacionais e protocolos próprios das instituições atendidas.

Para a a16z, a Telepatia já superou uma das principais barreiras de ferramentas clínicas: a adoção real no fluxo de trabalho dos médicos.

“A IA não substituirá os médicos, mas médicos usando IA vão redefinir o padrão de atendimento”, afirma Daisy Wolf, sócia da a16z.

Segundo ela, a companhia está profundamente integrada à rotina de profissionais de saúde em vários países. “Esse nível de adoção no mundo real é o que transforma a IA de promessa em infraestrutura”, diz.

José Henrique Dias Salvador, CEO do Mater Dei, também destaca o uso contínuo da plataforma pelos médicos.

“O verdadeiro teste de qualquer ferramenta clínica é saber se os médicos de fato a utilizam. Nossos médicos usam a Telepatia oito horas por dia. Nunca vimos uma adoção como essa. Isso é retorno sobre investimento quantificável”, afirma.

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