A Timenow registrou crescimento superior a 120% em sua operação nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2026 e aposta na expansão internacional para alcançar R$ 1 bilhão em faturamento até 2030. A empresa de engenharia consultiva também negocia um projeto petroquímico estimado em US$ 400 milhões, que pode se tornar o maior contrato de sua trajetória no mercado americano.
Fundada em Vitória, no Espírito Santo, a companhia encerrou 2025 com receita superior a R$ 650 milhões, avanço de 62% em relação ao ano anterior. Até o fim da década, a meta é fazer com que as operações fora do Brasil representem 20% do faturamento, com os Estados Unidos como principal vetor desse crescimento.
A presença americana já alcança dez estados e oito grandes clientes. Neste ano, a Timenow participou de três paradas industriais realizadas simultaneamente, em projetos que somaram cerca de US$ 110 milhões em investimentos.
“O ritmo superou nossa expectativa inicial. Imaginávamos crescer cerca de 30%, mas a demanda foi muito maior”, afirmou Antonio Toledo, CEO da Timenow.
Reindustrialização americana amplia demanda
O avanço da empresa ocorre em meio à retomada dos investimentos industriais nos Estados Unidos. Em 2025, o país recebeu US$ 232,2 bilhões em investimento estrangeiro direto, aumento de 49,5% sobre o ano anterior, segundo o Bureau of Economic Analysis.
Mais da metade desse volume foi direcionada à indústria de transformação. O movimento tem sido impulsionado por políticas de fortalecimento da produção local, reorganização das cadeias globais e retorno de fábricas anteriormente instaladas no exterior.
Esse ambiente aumenta a procura por serviços de planejamento, engenharia, manutenção e gestão de projetos industriais. A Timenow atua justamente na estruturação dos investimentos, no controle de cronogramas, na redução de riscos e na gestão dos ativos.
A entrada da companhia nos Estados Unidos começou pelo segmento de papel e celulose, área em que já possuía experiência acumulada no Brasil. Posteriormente, a operação avançou para siderurgia, petroquímica, energia e outros setores industriais.
Engenharia brasileira vira diferencial competitivo
A estratégia da Timenow não se limita ao envio de profissionais brasileiros para projetos internacionais. A empresa busca levar ao mercado americano uma metodologia desenvolvida ao longo de três décadas em ambientes com restrições orçamentárias, desafios logísticos e oscilações econômicas.
Na avaliação de Toledo, essas condições contribuíram para formar profissionais acostumados a tomar decisões com rapidez, adaptar projetos e trabalhar com pressão sobre custos e prazos.
“Não estamos exportando apenas conhecimento técnico. Estamos exportando uma forma de pensar e gerir projetos industriais com disciplina, pragmatismo e foco em resultado”, afirmou o executivo.
Atualmente, a Timenow reúne mais de 2,5 mil profissionais e contabiliza mais de 30 mil projetos executados. Além do Brasil e dos Estados Unidos, a empresa mantém operação em Portugal.
Inteligência artificial entra na gestão dos projetos
Parte da expansão é apoiada por ferramentas próprias de tecnologia. Uma delas é o Kyno, plataforma de inteligência artificial generativa criada para acelerar análises técnicas, padronizar informações e apoiar a tomada de decisões.
A companhia também utiliza o Time Connect, sistema que reúne dados de engenharia, manutenção e operação. A ferramenta amplia a rastreabilidade dos projetos e ajuda no acompanhamento de prazos, riscos e desempenho dos ativos.
Entre as aplicações estão o planejamento de paradas industriais, a simulação de cenários, a análise de riscos e a previsão de possíveis atrasos.
Segundo Toledo, a tecnologia não substitui o trabalho dos engenheiros, mas permite que as equipes processem mais informações e tomem decisões com maior velocidade e menor margem de incerteza.
