O Fórum Econômico Mundial (WEF) deste ano, em Davos, terá como ponto alto a presença do presidente Donald Trump, que deve se reunir com uma elite de líderes empresariais globais nesta quarta-feira. Fontes confirmaram que a Casa Branca emitiu convites para uma recepção exclusiva após o discurso especial de Trump, abrangendo CEOs de setores estratégicos como serviços financeiros, criptomoedas e consultoria. Diferente de edições anteriores, o convite não se limita a executivos americanos, sinalizando uma ofensiva diplomática e comercial direta com o empresariado internacional no resort de montanha suíço.
A estratégia americana ocorre em paralelo a um movimento similar da China, que enviou o vice-primeiro-ministro He Lifeng como seu principal representante. Lifeng, que discursa na terça-feira, também organizou uma recepção voltada a fundadores e presidentes de empresas globais, evidenciando uma “guerra de prestígio” e influência entre as duas maiores economias do mundo.
Enquanto Pequim busca reforçar laços comerciais em um momento de transição, a delegação dos EUA chega robusta, contando com nomes de peso como o secretário do Tesouro, Scott Bessent, para referendar as novas diretrizes da Casa Branca.
Apesar da agenda oficial do Fórum focar em cooperação global, as recentes medidas políticas de Trump têm dominado as conversas nos corredores. O foco dos mais de 3.000 delegados — incluindo 64 chefes de Estado — voltou-se bruscamente para as demandas drásticas dos EUA, como a recente exigência de assumir o controle da Groenlândia, e as mudanças estruturais nas políticas de comércio externo do G7. Esse cenário de imprevisibilidade gera um misto de cautela e expectativa entre os investidores, que buscam nos discursos de quarta-feira pistas sobre a estabilidade das relações internacionais.
Nem todos os antigos aliados de Trump, no entanto, parecem dispostos a participar do evento. Anthony Scaramucci, ex-diretor de comunicações do presidente, confirmou ter conhecimento da reunião, mas afirmou que não comparecerá para evitar ser uma “atração secundária” no encontro.
Mesmo com essas deserções pontuais, o peso político dos EUA sob o novo governo permanece como o eixo central de Davos 2026, com os líderes globais atentos a como a postura isolacionista ou expansiva de Trump afetará o fluxo de capital e a governança nas economias emergentes e desenvolvidas.









