O setor de turismo global consolidou sua recuperação definitiva em 2025, superando os patamares pré-pandemia e registrando a marca histórica de 1,52 bilhão de viajantes internacionais. De acordo com dados recentes da UN Tourism, a agência da ONU para o setor, o crescimento mundial foi de 4% no último ano, impulsionado pela forte demanda na Europa e pela retomada vigorosa na Ásia e no Pacífico.
No entanto, os Estados Unidos figuraram como uma exceção negativa neste cenário de otimismo. Enquanto o mundo viajava mais, a maior economia do planeta enfrentou uma retração nas chegadas de estrangeiros, influenciada por um ambiente político e burocrático hostil.
Analistas e entidades do setor, como o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), apontam que a retórica agressiva de Donald Trump sobre imigração e o endurecimento nas concessões de vistos geraram um impacto direto na indústria local.
As estatísticas variam conforme a fonte, mas confirmam a tendência de queda: o WTTC reporta um recuo de 6% em 12 meses, enquanto o Departamento de Comércio dos EUA admite uma retração preliminar de 2,5%. Segundo Gloria Guevara, CEO do WTTC, esse cenário de “aversão” fez com que turistas, especialmente latino-americanos, trocassem os destinos norte-americanos pela Europa ou pelo Japão. Mexicanos e colombianos, tradicionais visitantes dos EUA, não apenas viajaram menos para o país, como optaram por estadias mais curtas quando o fizeram.
A queda no fluxo migratório refletiu-se pesadamente no aspecto financeiro. O gasto de turistas estrangeiros nos EUA caiu 7% no último ano, com quedas acentuadas vindas de visitantes do Canadá, México e Europa. Esse desempenho contrastou severamente com o restante das Américas, que cresceu 1% apesar do peso negativo dos dados americanos. Na contramão dos vizinhos do norte, a América do Sul registrou uma expansão de 7% e a América Central avançou 5%, superando até mesmo os prejuízos causados pela passagem do furacão Melissa no Caribe durante o último trimestre de 2025.
O Brasil destacou-se como um dos grandes protagonistas desse crescimento regional, reportando um salto impressionante de 37% na chegada de turistas estrangeiros em relação ao ano anterior. Esse fôlego contribuiu para que as receitas globais de turismo atingissem a cifra estimada de US$ 1,9 trilhão. No total, as exportações do setor, que englobam desde o gasto no destino até o transporte de passageiros, devem fechar o balanço de 2025 em torno de US$ 2,2 trilhões, consolidando a importância estratégica do turismo para a economia mundial pós-crise sanitária.
Para 2026, as projeções da ONU permanecem positivas, com uma expectativa de crescimento entre 3% e 4%. Especialistas mantêm o otimismo, embora em um nível ligeiramente inferior ao do ano passado, conforme aponta o Índice de Confiança em Turismo.
A continuidade da recuperação asiática e o arrefecimento da inflação nos serviços turísticos são os principais pilares de sustentação para o próximo ciclo. Contudo, o cenário não é isento de riscos; cerca de metade dos especialistas consultados alerta que tensões geopolíticas, conflitos em andamento e eventos climáticos extremos continuam sendo as principais ameaças que podem frear o entusiasmo dos viajantes e a estabilidade do setor no curto prazo.
