O bolso de quem usa Uber, 99 e outros aplicativos de transporte teve uma trégua em janeiro. Após encerrar 2025 como o item de maior alta em todo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com um salto de 56,08% no ano e a maior variação já registrada na série histórica, o preço das corridas por aplicativo recuou 17,23% no primeiro mês de 2026, segundo dados divulgados pelo IBGE na última terça-feira (10). A queda é expressiva também na comparação imediata: em dezembro, o mesmo item havia subido 13,79%.
Férias seguram a demanda e puxam os preços para baixo
A explicação para a virada é, em grande parte, sazonal. Janeiro é mês de férias, o que reduz significativamente o fluxo de passageiros nos centros urbanos. Com menos corridas sendo solicitadas e mais motoristas disponíveis para atender à demanda, a tarifa dinâmica, mecanismo que ajusta os preços em tempo real conforme o equilíbrio entre oferta e procura, opera com menos pressão, puxando os valores para baixo. O comportamento é coerente com o modelo das plataformas: quando a oferta de veículos supera as solicitações, os preços naturalmente recuam.
A queda foi disseminada entre as capitais monitoradas pelo IBGE, mas com intensidades diferentes. Porto Alegre registrou o maior recuo, de 22,22%, enquanto São Paulo apresentou queda de 17,18%. O menor declínio foi observado em Salvador, onde os preços caíram 10,99%.
Transporte puxa inflação para baixo em janeiro
O movimento contribuiu para conter a inflação geral de janeiro, que ficou em 0,33%, já que o transporte por aplicativo é um dos componentes do grupo de transportes no IPCA. A passagem aérea também cedeu no período, com queda de 8,9%. Na contramão, a gasolina subiu 2,06%, pressionando o índice na mesma categoria.
A disparada de 2025 havia sido atribuída por economistas a uma combinação de fatores: a incorporação da tarifa dinâmica na metodologia de cálculo do IBGE, a alta demanda nas grandes cidades e o aumento dos custos operacionais dos motoristas, como combustível e manutenção dos veículos.
Plataformas questionam metodologia do IBGE
Questionada sobre os dados, a Amobitec, associação que representa empresas como Uber e 99, afirmou que os preços das corridas são definidos por variáveis como tempo, distância, demanda local e estratégias comerciais de cada plataforma, e que o objetivo é equilibrar os interesses de usuários e motoristas. A entidade também contestou a metodologia do IBGE, alegando falta de transparência sobre quais empresas integram a pesquisa e qual o peso de cada uma no cálculo.
Para relativizar o impacto inflacionário do setor, a Amobitec destacou que o subitem transporte por aplicativo contribuiu com apenas 0,13 ponto percentual no IPCA de 2025, menos do que energia residencial (0,48 p.p.) e plano de saúde (0,26 p.p.).









