O Banco Central pode precisar interromper o ciclo de cortes da Selic diante do aumento das pressões inflacionárias no Brasil e no exterior. A avaliação é de Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management.
Em entrevista ao portal Broadcast, a economista afirmou que o cenário internacional ficou mais delicado com guerra no Oriente Médio, juros elevados globalmente e aumento dos riscos fiscais em vários países. No Brasil, ela também vê preocupação crescente com expansão de gastos públicos em meio à aproximação das eleições de 2026.
UBS vê espaço para BC parar após próximo corte
Segundo Srour, o Banco Central ainda deve realizar um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, mas o cenário depois disso ficou mais incerto.
Para ela, os riscos inflacionários estão aumentando rápido demais para que o BC mantenha sinalizações automáticas de queda de juros.
A economista afirma que a autoridade monetária deveria deixar aberta a possibilidade de pausa para observar os efeitos da guerra, da inflação global e da deterioração fiscal brasileira.
Guerra no Oriente Médio preocupa mercado global
O UBS avalia que o prolongamento do conflito envolvendo o Irã pode elevar ainda mais os preços de petróleo, gás natural, fertilizantes e outros insumos importantes para a economia global.
Na visão da economista, caso a crise continue durante o segundo semestre, os efeitos sobre inflação e crescimento podem ficar mais intensos.
Ela também alertou para a possibilidade de juros globais permanecerem elevados por mais tempo, especialmente nos Estados Unidos.
Fiscal e eleições entram no radar do mercado
Outro ponto citado pela economista é a piora das expectativas fiscais no Brasil.
Segundo ela, tanto o governo quanto o Congresso tendem a ampliar medidas populares às vésperas da eleição presidencial, aumentando pressões sobre gastos públicos e dificultando o controle da dívida.
O UBS também vê preocupação com propostas que ampliem benefícios tributários e programas de estímulo fora das regras fiscais atuais. Na avaliação de Srour, o cenário eleitoral começou a influenciar os ativos brasileiros, principalmente o câmbio e os juros futuros.
Apesar disso, ela afirma que o Brasil continua atraente para investidores estrangeiros por causa da força em commodities, agricultura, energia e minerais estratégicos.
