O Conselho Europeu ratificou politicamente, nesta sexta-feira (9), o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, encerrando um ciclo de negociações que se arrastava por mais de 26 anos. A decisão, tomada em Bruxelas, contou com o apoio de 21 dos 27 Estados-membros, superando a resistência de nações como França, Polônia, Hungria e Irlanda, além da abstenção da Bélgica.
O avanço foi viabilizado pelo apoio estratégico da Itália, que permitiu ao bloco atingir o quórum necessário de 15 países representando pelo menos 65% da população europeia. Com o aval político consolidado, a assinatura formal do tratado está prevista para o próximo dia 17 de janeiro, no Paraguai, com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O ministro da Energia, Comércio e Indústria do Chipre, Michael Damianos, classificou o desfecho como um “passo histórico” para a parceria estratégica entre os blocos. Segundo o ministro, o tratado abre novas frentes para empresas de ambos os lados, estabelecendo salvaguardas para setores sensíveis e um modelo de comércio sustentável. O acordo visa integrar um mercado consumidor de 720 milhões de pessoas, cujas economias somam um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22,3 trilhões. Enquanto os países sul-americanos buscam expandir a demanda para sua indústria agrícola, os europeus visam uma maior abertura de mercado para seus produtos manufaturados.
Para o consumidor brasileiro, o tratado sinaliza uma redução gradual nos preços de diversos produtos importados da Europa. Entre os itens que devem ser beneficiados pela isenção de tarifas — que hoje chegam a 35% — estão vinhos, azeites, chocolates e outras bebidas alcoólicas. Laticínios como queijos e leite em pó também terão as alíquotas zeradas, embora submetidos a um sistema de cotas anuais.
A eliminação desses impostos ocorrerá de forma escalonada ao longo dos próximos anos, promovendo maior competitividade e acesso a bens de consumo europeus no mercado nacional.
Apesar do otimismo diplomático, o processo de implementação ainda enfrenta etapas burocráticas e políticas. Após a assinatura formal, o texto precisará da aprovação do Parlamento Europeu e da ratificação pelos Congressos Nacionais de cada país integrante do Mercosul.
No cenário europeu, espera-se que o debate no Parlamento seja intenso, especialmente em torno de questões ambientais e da proteção ao setor agrícola local, temas que têm sido o principal entrave para a conclusão definitiva do maior acordo comercial da história da União Europeia.









