União Europeia debaterá segurança energética após escalada com o Irã

A União Europeia convocou formalmente seu grupo de coordenação de gás para uma reunião emergencial nesta quarta-feira, com o objetivo de avaliar os riscos ao abastecimento do bloco diante da escalada bélica no Oriente Médio.

O comitê, composto por representantes dos Estados-membros, monitora o armazenamento e a segurança energética da região, buscando coordenar respostas imediatas a uma crise que já provoca ondas de choque na economia global.

A ofensiva liderada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que agora se expande para o Líbano e gera retaliações de Teerã contra bases aliadas e Estados do Golfo, ameaça interromper a recuperação econômica e reacender as pressões inflacionárias mundialmente.

O impacto nos mercados de energia nesta segunda-feira (2) foi imediato e severo. O petróleo Brent registrou uma alta de 9%, atingindo US$ 78,90 o barril — o maior salto diário desde o início da pandemia de COVID-19 em 2020, superando inclusive a volatilidade vista no início da invasão da Ucrânia pela Rússia.

No mercado de gás natural, a situação é ainda mais crítica: os preços de referência na Europa dispararam 37,5%, atingindo o patamar mais alto em um ano. Esse movimento é alimentado pela paralisação estratégica da produção de gás liquefeito no Catar e pelo fechamento preventivo da maior refinaria da Arábia Saudita, somados à interrupção quase total da navegação pelo Estreito de Ormuz, via por onde escoa 20% do suprimento global de óleo.

Diante da instabilidade, o dólar se valorizou e os investidores buscaram refúgio em ativos de segurança, levando o ouro a uma alta de 2,1%, cotado a US$ 5.389 a onça.

Enquanto as bolsas de valores operam em queda, a grande incógnita para o mercado financeiro reside na duração do conflito e na extensão dos danos à infraestrutura energética.

Com a guerra aérea prevista para durar semanas e atingindo pontos nevrálgicos da produção e logística de energia, a capacidade de resposta da União Europeia e a resiliência das cadeias de suprimento globais serão testadas em um nível de estresse raramente visto na história recente.

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