União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia publicou na sexta-feira (5) o documento oficial que exclui o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne para o bloco, em razão do descumprimento das exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida entra em vigor em 3 de setembro de 2026 e coloca em risco um fluxo comercial que somou US$ 1,8 bilhão em 2025, abrangendo carne bovina, frango, tripas, peixe e mel.

A exclusão ocorreu porque o Brasil não apresentou à Comissão Europeia as informações necessárias para comprovar que sua produção atende às exigências do bloco sobre o controle do uso de antimicrobianos — substâncias utilizadas para tratar e prevenir infecções em animais e que, em alguns casos, também atuam como promotores de crescimento. O Brasil foi o único país removido da lista por esse motivo. Outros três países — Austrália, Ucrânia e Ilhas Malvinas — também saíram da lista, mas por não terem mais interesse em exportar ao bloco.

O impacto econômico é considerável. A UE responde por 5,8% do valor das exportações brasileiras de carne bovina, sendo o terceiro maior destino do produto, atrás de China (49,3%) e Estados Unidos (9%). Em 2025, o Brasil exportou 128 mil toneladas de carne bovina ao bloco, com receita de US$ 1,048 bilhão. As exportações de frango somaram US$ 762 milhões e 230 mil toneladas, enquanto o mel respondeu por US$ 6 milhões e mil toneladas. Para carnes em geral, a UE é o segundo maior mercado brasileiro, atrás apenas da China.

O governo brasileiro tenta reverter a decisão por vias diplomáticas e técnicas. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou na última quinta-feira (4) com o comissário de Comércio europeu, Maroš Šefčovič, para tentar ao menos uma reversão parcial da medida, segundo apuração da TV Globo. Paralelamente, o Ministério da Agricultura e o setor privado buscam apresentar as garantias técnicas exigidas pelos europeus — entre elas, visitas presenciais aos criadouros brasileiros.

A porta não está totalmente fechada. Quando anunciou a decisão em maio, a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil pode retornar à lista assim que comprovar o cumprimento dos requisitos exigidos. O prazo até setembro oferece uma janela estreita, mas real, para que as autoridades brasileiras apresentem as evidências necessárias e negociem uma solução que evite a interrupção dos embarques.

A situação é agravada pelo contexto de pressões comerciais múltiplas sobre o Brasil. Enquanto o governo negocia com Bruxelas para reverter o veto da UE, enfrenta simultaneamente novas tarifas propostas pelos Estados Unidos no âmbito da Seção 301, tornando o ambiente para as exportações brasileiras de produtos agropecuários um dos mais desafiadores dos últimos anos. Outros países do Mercosul — Argentina, Paraguai e Uruguai — permanecem autorizados a exportar carne para a UE, o que coloca o Brasil em desvantagem competitiva enquanto a situação não for resolvida.

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