As vendas no varejo brasileiro cresceram 0,5% em março na comparação com fevereiro e 4,0% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio acima das projeções do mercado: economistas consultados pela Reuters esperavam estabilidade na comparação mensal e alta de 2,75% na base anual.
O comércio varejista ampliado — que inclui veículos, material de construção e atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo — avançou 0,3% em relação a fevereiro e 6,5% frente a março de 2025. A média móvel trimestral ficou em 0,8%, e o acumulado no ano registra ganho de 1,9%.
Na passagem de fevereiro para março, cinco das oito atividades do varejo restrito apresentaram resultado positivo. O destaque ficou com equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que avançou 5,7%, seguido por combustíveis e lubrificantes (2,9%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%). Livros, jornais e papelaria (0,7%) e artigos farmacêuticos e de perfumaria (0,1%) também ficaram no campo positivo. Na direção contrária, hipermercados e supermercados recuaram 1,4% e móveis e eletrodomésticos caíram 0,9%. Tecidos, vestuário e calçados ficaram estáveis.
Na comparação anual, o desempenho foi mais uniforme: todas as atividades pesquisadas registraram expansão em março. O maior salto foi de equipamentos de informática e comunicação, com alta de 22,5%, seguido por outros artigos de uso pessoal e doméstico (11,1%) e livros e papelaria (10,2%).
Combustíveis avançaram 7,6%, artigos farmacêuticos subiram 7,1% e móveis e eletrodomésticos cresceram 6,8%. Mesmo supermercados e vestuário, segmentos mais pressionados no mês, registraram avanços anuais de 0,9% e 2,9%, respectivamente.
No varejo ampliado, a alta anual também foi generalizada: veículos e motos lideraram com 12,6%, seguidos pelo atacado especializado em alimentos e bebidas (8,7%) e material de construção (8,1%). O desempenho do setor de construção, tanto no mês quanto no ano, reforça a leitura de que o segmento segue aquecido, sustentado pelo crédito imobiliário e pela demanda por reformas.
O resultado de março surpreende positivamente em um cenário de juros elevados e pressão inflacionária sobre a renda das famílias. A alta disseminada entre as categorias sugere resiliência do consumo, ainda que o ritmo de expansão deva ser monitorado nos próximos meses à medida que o aperto monetário segue em vigor e o custo da cesta básica continua subindo.
