Vendas do varejo brasileiro caem 0,5% em 2025

Varejo brasileiro cresce 13,8% nas vendas em abril, aponta estudo da HiPartners

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O setor varejista brasileiro encerrou o ano de 2025 com uma retração de 0,5% no volume de vendas em comparação ao ano anterior, de acordo com dados do Índice do Varejo Stone (IVS).

O resultado aponta para um esgotamento dos motores que impulsionaram o consumo nos meses anteriores. Segundo Guilherme Freitas, economista da Stone, embora o mercado de trabalho tenha apresentado robustez, fatores macroeconômicos como os juros elevados, o encarecimento do crédito e o alto nível de endividamento das famílias brasileiras limitaram severamente o poder de compra, especialmente em bens de maior valor agregado.

O desempenho no último mês do ano foi particularmente negativo, com o indicador registrando queda de 1,5% em dezembro de 2025 contra o mesmo mês de 2024, e um recuo de 0,9% na comparação com novembro.

Essa trajetória de baixa consolidou-se no quarto trimestre, que amargou uma queda de 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para Freitas, os dados evidenciam que o impacto positivo do baixo desemprego foi neutralizado pelo comprometimento da renda com dívidas, o que restringiu o consumo justamente no período tradicionalmente mais forte para o comércio.

No balanço anual por segmentos, o cenário foi heterogêneo. Quatro setores conseguiram sustentar balanços positivos, liderados por Móveis e Eletrodomésticos (2,4%), seguido por Artigos Farmacêuticos (1,5%), Material de Construção (0,9%) e Artigos de Uso Pessoal (0,3%).

Em contrapartida, as perdas mais severas foram sentidas em Combustíveis e Lubrificantes (-5,7%) e no setor de Hipermercados e Supermercados (-4,6%), além de Livros e Papelaria (-4,3%). O mês de dezembro confirmou essa fragilidade, com apenas três dos oito segmentos analisados — Material de Construção, Farmacêuticos e Combustíveis — apresentando crescimento.

Geograficamente, a retração foi disseminada pela maioria das unidades federativas, com quedas acentuadas em estados como Mato Grosso do Sul (-5,9%) e Amazonas (-5%). Apenas Piauí (2,3%), Alagoas (1,2%) e Rondônia (1,1%) registraram avanço anual.

A resiliência observada em partes do Nordeste é atribuída a um consumo voltado a itens essenciais e menos dependente de linhas de crédito, ao contrário do que ocorreu nas regiões Sul e Sudeste, onde as condições financeiras mais restritivas pesaram de forma mais contundente sobre o orçamento doméstico.

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