Vendas no varejo crescem 0,1% em maio e interrompem queda

Marcelo Camargo/Agência Brasil

As vendas do comércio varejista brasileiro registraram crescimento de 0,1% em maio de 2026 na comparação com abril, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompe a retração observada no mês anterior, quando o setor havia recuado 1,6%, e indica um cenário de estabilidade para o consumo das famílias em meio aos juros elevados e à desaceleração de alguns indicadores da economia.

Apesar de modesto, o avanço representa uma recuperação após a forte queda registrada em abril. De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), o desempenho mostra que o varejo segue resiliente, embora ainda enfrente desafios relacionados ao crédito mais caro, ao comprometimento da renda das famílias e à cautela dos consumidores diante do cenário econômico atual.

No acumulado do ano, o setor continua apresentando crescimento, sustentado principalmente pelo desempenho de segmentos ligados ao consumo essencial. Ainda assim, os números mais recentes apontam uma perda de ritmo em relação ao início de 2026, quando o comércio chegou a alcançar níveis recordes de vendas.

Recuperação após queda expressiva

O resultado de maio ganha relevância porque sucede um período de retração. Em abril, as vendas haviam caído 1,5% na comparação com março, pressionadas principalmente pelo desempenho negativo de setores como combustíveis, artigos de uso pessoal, informática e eletrodomésticos.

Com a alta de maio, o varejo conseguiu interromper a sequência de resultados negativos, embora ainda sem recuperar integralmente as perdas observadas no mês anterior. Para analistas, o comportamento do setor reflete uma economia que continua crescendo, mas em ritmo mais moderado.

A média móvel trimestral do comércio varejista apresentou variação negativa de 0,2% no trimestre encerrado em maio, sinalizando que a atividade ainda enfrenta dificuldades para retomar um crescimento mais consistente.

Varejo ampliado segue em queda

Enquanto o varejo restrito registrou leve crescimento, o chamado varejo ampliado — que inclui veículos, materiais de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo — apresentou recuo de 0,2% em maio na comparação com abril.

O resultado sugere que setores mais dependentes de financiamento e crédito continuam sentindo os efeitos do ambiente de juros elevados. Compras de maior valor agregado, como veículos e materiais de construção, costumam ser mais sensíveis às condições de financiamento, o que ajuda a explicar o desempenho mais fraco dessas atividades.

Especialistas observam que a manutenção de taxas de juros em patamares elevados ao longo dos últimos meses reduziu o apetite das famílias para aquisições de longo prazo, impactando diretamente segmentos ligados ao consumo durável.

Receita do comércio também avançou

Além do crescimento no volume de vendas, a receita nominal do comércio varejista também apresentou resultado positivo. Em maio, a receita aumentou 0,1% em relação a abril, acumulando alta de 4,2% no ano e de 4,8% nos últimos 12 meses.

No varejo ampliado, a receita nominal cresceu 0,4% na passagem de abril para maio. O indicador considera os valores movimentados pelas empresas sem descontar os efeitos da inflação e ajuda a medir a evolução do faturamento do setor.

Os números mostram que, mesmo diante de um cenário econômico mais desafiador, o comércio continua gerando receita e sustentando parte da atividade econômica nacional.

Consumo segue sustentando a economia

O desempenho do varejo é acompanhado de perto por economistas porque funciona como um importante termômetro do consumo das famílias, principal componente do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Nos últimos meses, o mercado tem observado sinais de desaceleração em diferentes setores da economia. Indicadores recentes apontaram perda de força em segmentos como serviços e indústria, aumentando a atenção sobre o comportamento do consumo interno.

Nesse contexto, o resultado positivo do varejo em maio ajuda a reduzir preocupações sobre uma desaceleração mais intensa da atividade econômica, embora ainda não seja suficiente para indicar uma retomada robusta do setor.

Expectativas para o segundo semestre

A expectativa de parte do mercado financeiro é que uma possível redução da taxa Selic nos próximos meses contribua para melhorar as condições de crédito e estimular o consumo. Juros menores tendem a favorecer financiamentos e ampliar o poder de compra das famílias, especialmente em setores ligados a bens duráveis.

Por outro lado, economistas destacam que fatores como inflação, renda disponível e nível de emprego continuarão sendo determinantes para o desempenho do comércio ao longo do segundo semestre.

O avanço de 0,1% em maio mostra que o varejo brasileiro conseguiu interromper a trajetória de queda observada em abril, mas ainda revela um cenário de crescimento moderado. Os próximos resultados indicarão se o setor conseguirá recuperar o ritmo observado no início do ano ou se continuará enfrentando os efeitos da desaceleração econômica e do crédito mais restritivo.

Sair da versão mobile