A Vicci Studio iniciou suas operações em São Paulo com investimento de R$ 8 milhões e uma proposta voltada à recuperação física, mobilidade e longevidade. O pacote mais completo custa R$ 7 mil por mês e inclui acompanhamento individualizado em um espaço projetado para atender até oito clientes simultaneamente.
Com 250 metros quadrados, a unidade combina treinos de 50 minutos com personal trainer, equipamentos inteligentes e recursos de monitoramento de indicadores físicos e cognitivos. A empresa afirma já ter uma lista de espera e estuda abrir novas unidades em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília.
A proposta não é substituir academias convencionais ou a prática esportiva, mas complementar a rotina de pessoas que já treinam e buscam melhorar mobilidade, postura, recuperação e desempenho.
“A ideia não é substituir a academia convencional ou o esporte, mas complementar a rotina de quem já pratica atividade física”, afirma André Trombini, diretor-geral da Vicci Studio e criador do método adotado pela marca.
Modelo aposta em longevidade e recuperação
Os programas são personalizados de acordo com as necessidades de cada cliente. Entre os recursos disponíveis estão esteiras tridimensionais, plataformas inteligentes, sistemas eletrônicos de resistência e dispositivos vestíveis.
Os dados coletados alimentam uma plataforma que acompanha a evolução individual e ajusta os treinos ao longo do tempo. A estrutura também reúne avaliações funcionais e protocolos voltados ao recovery e à prevenção.
Segundo Trombini, o objetivo é trabalhar o corpo de maneira integrada, com foco em desempenho, redução de desconfortos e preparação para atividades específicas.
A Vicci tem como público prioritário consumidores de alta renda com mais de 30 anos. A empresa entra em um mercado que já reúne redes e academias de alto padrão, mas procura se diferenciar pela concentração em mobilidade, longevidade e recuperação, em vez da musculação tradicional.
Arquitetura incorpora elementos da hotelaria de luxo
O projeto arquitetônico foi desenvolvido pela Waterdesign, empresa especializada em ambientes voltados a wellness, spas, piscinas e sistemas de hidroterapia.
Iluminação planejada, materiais naturais, acústica trabalhada e integração entre os ambientes fazem parte do conceito. A intenção é aproximar a experiência da hospitalidade oferecida por hotéis de alto padrão, deixando de lado a estética convencional de clínicas e centros de treinamento.
“Nosso desafio foi criar um ambiente que acolhesse as pessoas como um hotel acolhe seus hóspedes, mas atendesse às exigências técnicas de um centro de longevidade e wellness”, afirma Arthur Mattos, fundador e diretor-geral da Waterdesign.
Mattos é o único acionista da Vicci Studio. Para financiar a expansão, a empresa avalia permitir a entrada de novos sócios.
Mercado global de wellness deve chegar a US$ 9,8 trilhões
A expansão de negócios voltados à saúde preventiva ocorre em meio ao crescimento da economia global de wellness. Dados do Global Wellness Institute indicam que o setor movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024 e poderá alcançar US$ 9,8 trilhões até 2029.
O avanço é associado ao envelhecimento da população, ao aumento das doenças crônicas, à preocupação com saúde mental e à maior procura por cuidados preventivos.
Nesse cenário, empresas do setor vêm incorporando conceitos de hospitalidade, tecnologia e personalização para aumentar a adesão dos clientes e transformar o cuidado com a saúde em uma experiência contínua.
A estratégia da Vicci segue essa direção ao reunir arquitetura, acompanhamento especializado e monitoramento em uma mesma operação. O plano de crescimento deverá testar a capacidade de levar esse modelo a outras capitais e ampliar a atuação em um segmento ainda restrito ao público de alta renda.
