Wall Street reforça apoio à independência do Fed diante de investigação do governo Trump

Os principais líderes financeiros dos Estados Unidos saíram em defesa da autonomia do Federal Reserve (Fed) nesta terça-feira, reagindo à abertura de uma investigação criminal contra o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell. Os CEOs do JPMorgan Chase, BNY e Bank of America alertaram publicamente que a tentativa de interferência do governo de Donald Trump pode desestabilizar a economia, elevar as expectativas de inflação e forçar um aumento nas taxas de juros a longo prazo.

Jamie Dimon, CEO do JPMorgan e uma das vozes mais influentes do setor corporativo, classificou a pressão sobre o banco central como uma “má ideia” que terá o efeito oposto ao desejado pelo governo.

Durante uma teleconferência, Dimon reforçou que a independência da instituição é “absolutamente crucial” para a estabilidade econômica. No mesmo tom, Brian Moynihan, CEO do Bank of America, afirmou à CNBC que um Fed autônomo serve como “âncora para o sucesso econômico” e para a liderança mundial dos Estados Unidos, refletindo a confiança necessária para o funcionamento dos mercados.

A crise institucional escalou após o Departamento de Justiça dos EUA emitir intimações contra Powell, sob o pretexto de investigar irregularidades na reforma da sede do Fed.

O presidente do banco central, no entanto, rotulou a investigação como um artifício político para obter influência sobre as decisões de política monetária. Robin Vince, CEO do BNY, alertou que abalar os alicerces do mercado de títulos por meio de pressões políticas pode corroer a confiança dos investidores e prejudicar o dinamismo econômico global.

Desde que reassumiu a presidência em 2025, Donald Trump tem exigido cortes drásticos nas taxas de juros e questionado publicamente a permanência de Powell no cargo. Embora o mandato de Powell como presidente do Fed termine em maio de 2026, ele possui o direito legal de permanecer no conselho da instituição até janeiro de 2028. Analistas e executivos, como o diretor financeiro do JPMorgan, Jeremy Barnum, advertem que a perda dessa independência jurídica e operacional traria danos severos às perspectivas econômicas americanas e à estabilidade financeira internacional.

Sair da versão mobile