O conceito de luxo no turismo passa por uma transformação consistente. Se antes ele era associado a símbolos mais evidentes de exclusividade, hoje está cada vez mais conectado ao tempo de qualidade, ao silêncio, à reconexão e ao bem-estar integral. Para 2026, as viagens de wellness deixam de ser um movimento pontual e se consolidam como um dos pilares do turismo de alto padrão.
Segundo Ana Paula Pappa, especialista em marketing para turismo de luxo e fundadora da Eleganza Comunica, esse cenário reflete uma mudança profunda no comportamento do consumidor.
“O viajante de alto padrão não busca apenas conforto ou serviços exclusivos. Ele também procura experiências que gerem impacto real em sua saúde física, emocional e mental. O bem-estar deixou de ser um complemento e passou a ser parte central da experiência”, afirma.
Retiros imersivos na natureza, destinos voltados ao autocuidado, experiências sensoriais, práticas de reconexão e jornadas personalizadas ganham força justamente por atenderem a esse novo desejo: viajar para se transformar. E, nesse contexto, a comunicação das marcas assume um papel decisivo.
Para Ana Paula, o grande diferencial está em como essas experiências são comunicadas.
“No turismo de luxo, tudo comunica. O tom de voz, as imagens, a narrativa e a coerência estética precisam traduzir a essência da experiência. Não se trata de vender serviços, mas de despertar sensações, propósito e significado”, explica.
Essa evolução impacta diretamente o posicionamento das marcas. A estética se torna mais limpa, o discurso mais humano e a narrativa mais focada em vivências do que em atributos técnicos.
“O luxo contemporâneo é mais discreto, mais verdadeiro e mais emocional. Marcas que não acompanham essa mudança correm o risco de perder relevância, mesmo oferecendo produtos de altíssimo nível”, completa.
Com a chegada de um novo ano, falar sobre wellness no turismo é, acima de tudo, falar sobre comportamento, comunicação e valor percebido. Para 2026, a tendência é clara: experiências de bem-estar não são mais um diferencial, mas uma expectativa natural do consumidor de alto padrão.





