A Whirlpool, dona de marcas como Brastemp, Consul e KitchenAid, está reforçando sua estrutura industrial no Brasil com um investimento superior a R$ 400 milhões na fábrica de Rio Claro, no interior de São Paulo. O movimento ocorre enquanto a multinacional reorganiza sua produção na América Latina e reduz operações em outros países da região.
A unidade brasileira receberá novas linhas de produção, mais de 20 robôs para automação industrial e capacidade para fabricar modelos de maior valor agregado, como lavadoras front-load e lava e seca. Segundo informações divulgadas sobre o projeto, cerca de 95% das peças utilizadas serão produzidas no Brasil.
As primeiras máquinas da nova estrutura devem começar a sair da linha de montagem em setembro de 2026.
O reforço no país acontece depois do encerramento da fábrica da companhia em Pilar, na Argentina, e em paralelo ao fechamento gradual de uma unidade em Apodaca, no México, previsto para ser concluído até o segundo trimestre de 2027.
A Whirlpool não informou que a produção mexicana será transferida diretamente ao Brasil. A reorganização, porém, amplia o peso da operação brasileira dentro da estrutura industrial da companhia na região.
Rio Claro recebe novas linhas e mais automação
A fábrica paulista já ocupa posição relevante na operação da Whirlpool. A planta produz lavadoras, fogões, fornos e cooktops e possui área de aproximadamente 188 mil metros quadrados, segundo informações publicadas pelo Valor Econômico.
Antes da nova fase de expansão, a unidade já fabricava cerca de 10 mil produtos por dia.
O investimento de mais de R$ 400 milhões adiciona capacidade para modelos de maior valor agregado e aumenta o nível de automação. A companhia prevê ainda a criação de aproximadamente 2,8 mil empregos diretos e indiretos, conforme os dados divulgados sobre o projeto.
A operação brasileira já vinha recebendo aportes relevantes. Entre 2020 e 2025, a Whirlpool investiu cerca de R$ 1,3 bilhão no país, segundo declaração de Gustavo Ambar, então gerente-geral da companhia no Brasil, ao Valor.
Argentina já havia perdido produção para o Brasil
A reestruturação industrial começou antes do anúncio envolvendo o México.
Em 2026, a Whirlpool encerrou a fábrica de Pilar, na Argentina, aberta em 2022 e com capacidade para produzir até 300 mil equipamentos por ano. A fabricação de lavadoras de abertura frontal foi transferida para Rio Claro.
Esse movimento elevou a importância da planta paulista e ajudou a preparar a unidade para uma linha de produtos mais sofisticados.
No México, a situação é diferente. A fábrica de Apodaca, dedicada a refrigeradores, será fechada gradualmente até 2027. A produção deverá ser redistribuída entre a unidade de Ramos Arizpe, também mexicana, e outras fábricas da rede global.
Por isso, embora os dois movimentos ocorram simultaneamente, não há indicação de que a produção encerrada em Apodaca será levada diretamente ao Brasil.
Whirlpool já produz 97% do portfólio brasileiro no país
A operação local tem escala considerável. Em 2025, a companhia informou que cerca de 97% dos produtos vendidos no Brasil eram fabricados nacionalmente.
A Whirlpool empregava aproximadamente 12 mil pessoas no país, das quais cerca de 3 mil trabalhavam em Rio Claro. Além da unidade paulista, a empresa mantém fábricas em Manaus, no Amazonas, e Joinville, em Santa Catarina.
Essa maior utilização de componentes nacionais na nova fase da planta também busca reduzir dependência de importações e fortalecer fornecedores locais.
Automação entra no centro da estratégia
O avanço industrial ocorre em paralelo a investimentos em formação de mão de obra.
Em 2025, a Whirlpool anunciou R$ 3 milhões para um centro de manufatura avançada dentro da fábrica de Rio Claro, batizado de Fábrica do Futuro.
O projeto prevê 6 mil horas anuais de treinamento para funcionários e estudantes de Fatecs até 2030, com conteúdos em áreas como robótica, automação, análise de dados, inteligência artificial, machine learning, visão computacional, gêmeos digitais, internet das coisas e realidade aumentada e virtual.
A meta apresentada pela companhia era elevar em 50% a produtividade das operações industriais brasileiras até 2030.
“Quando a concorrência se intensifica, temos que encontrar maneiras de nos diferenciar. E, para nós, a diferenciação tecnológica é um caminho para manter nossa vantagem”, afirmou Ambar ao Valor.
Exportações também entram nos planos
Apesar da escala industrial no país, a fatia exportada ainda era pequena. Em 2025, cerca de 2,5% da produção brasileira da Whirlpool seguia para mercados externos, principalmente Argentina, Colômbia e México.
A companhia estabeleceu como objetivo elevar esse percentual primeiro para 5% em três anos e, posteriormente, alcançar 10%.
A modernização de Rio Claro pode contribuir para essa estratégia ao aumentar produtividade e capacidade de fabricar produtos de maior valor agregado.
Com mais de R$ 400 milhões direcionados à nova fase da unidade paulista, produção argentina de lavadoras já transferida ao Brasil e redução da estrutura mexicana, a Whirlpool reposiciona sua malha industrial regional. Para Rio Claro, o resultado é uma fábrica mais automatizada, com maior conteúdo local e peso crescente dentro da operação latino-americana.
