A inflação na zona do euro apresentou uma desaceleração mais acentuada do que o previsto no início de 2026, consolidando uma tendência de arrefecimento nos preços do bloco.
Segundo dados preliminares divulgados pela Eurostat nesta quarta-feira (4), o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) registrou taxa anual de 1,7% em janeiro. O indicador não apenas ficou abaixo dos 1,8% esperados pelo mercado, conforme o consenso da FactSet, como também se distanciou da meta oficial de 2% perseguida pelo Banco Central Europeu (BCE).
Para o Banco Central Europeu (BCE), o cenário torna-se mais complexo: enquanto o CPI geral de 1,7% indica uma vitória parcial contra a carestia, o núcleo em 2,2% demonstra que a inflação de serviços ainda é resiliente. Com a mudança na metodologia, os diretores do banco precisarão separar o que é desaceleração real dos preços do que é mero ajuste estatístico decorrente da nova forma de calcular o custo de vida.
No comparativo mensal, o índice registrou uma deflação de 0,5%, resultado que veio em linha com as projeções dos analistas. O núcleo da inflação, métrica que exclui itens de alta volatilidade como energia e alimentos, também deu sinais de moderação, recuando para 2,2% na base anual — uma queda discreta em relação aos 2,3% observados em dezembro. Esses números sugerem uma dinâmica de preços mais contida, embora o núcleo ainda resista ligeiramente acima do índice geral.
Além do comportamento dos preços, o relatório da Eurostat marcou a estreia de mudanças estruturais significativas no cálculo do Índice Harmonizado de Preços ao Consumidor (IHPC). A partir deste levantamento, o indicador passou a adotar a nova Classificação Europeia de Consumo Individual por Finalidade (ECOICOP 2,0), alinhando-se aos padrões internacionais da ONU.
Entre as principais alterações metodológicas, destaca-se a inclusão dos jogos de azar no cesto de serviços de recreação e a atualização do período de referência do índice, medidas que visam dar mais precisão ao retrato do consumo no continente.
