As ações da Meta Platforms (META) registraram alta de 3% nesta segunda-feira (16), impulsionadas por relatos de que a companhia planeja uma reestruturação em larga escala. Segundo informações da Reuters, a gigante das redes sociais projeta demitir 20% ou mais de sua força de trabalho, em um movimento estratégico para compensar os vultosos investimentos em inteligência artificial e alavancar ganhos de produtividade via tecnologia.
Se confirmado, este será o maior corte desde o “ano da eficiência” (2022-2023), que eliminou 21 mil postos de trabalho. A medida ocorre em um momento em que a Meta tenta recuperar o atraso em relação a concorrentes como OpenAI e Google, projetando investimentos de capital de até US$ 135 bilhões para 2026 — o dobro do montante despendido no ano anterior.
A maior parte do capital será destinada à capacidade de computação em nuvem necessária para treinar modelos de linguagem. Recentemente, a empresa firmou um acordo de US$ 27 bilhões com a Nebius para serviços de infraestrutura. Apesar do aporte bilionário ter otimizado as ferramentas de publicidade, a Meta ainda enfrenta dificuldades para lançar um modelo de IA de ponta; o projeto mais recente, codinome Avocado, apresentou desempenho abaixo das expectativas do setor.
Analistas de mercado veem a reestruturação como um suporte necessário para os resultados financeiros. Barton Crockett, da Rosenblatt Securities, estima que uma redução de 20% na folha de pagamento geraria uma economia de US$ 6 bilhões, impactando em 5% o lucro operacional ajustado. “Isso pode não parar nos 20%. Se a IA for tão impactante na produtividade quanto se prevê, novos cortes podem ocorrer no futuro”, afirmou Crockett.
A movimentação da Meta insere-se em uma tendência global. Desde novembro, o setor de tecnologia anunciou mais de 61 mil demissões ligadas à implementação de IA, com cortes significativos em empresas como Amazon e WiseTech. O debate sobre a substituição de humanos por algoritmos ganhou força após Jack Dorsey, da Block, anunciar a demissão de quase metade de seus colaboradores, citando uma mudança fundamental na forma de administrar empresas.
Entretanto, parte do mercado observa a tendência com ceticismo. Mark Shmulik, analista da Bernstein, questiona se a IA não estaria sendo usada como “camuflagem” para ajustes que seriam feitos de qualquer forma devido às contratações excessivas do passado. Mesmo assim, Shmulik pontua que a Meta é, possivelmente, a empresa melhor posicionada para se transformar em uma organização integralmente habilitada por IA, dado o sucesso de suas reestruturações anteriores.
A Meta, que encerrou dezembro com 79 mil funcionários, classificou as informações como “especulativas”. No pré-mercado, os papéis da companhia eram negociados a US$ 631,50.









