A Scribe Therapeutics formalizou os termos operacionais para sua oferta pública inicial de ações (IPO) na Nasdaq, revelando a intenção de levantar cerca de US$ 96 milhões em capital novo. A biotech sediada em Alameda, na Califórnia, informou em documento protocolado junto à Securities and Exchange Commission (SEC) que pretende ofertar 7,1 milhões de ações ordinárias, com faixa indicativa de preço estabelecida entre US$ 13 e US$ 15 por papel.
Considerando o ponto médio do intervalo projetado (US$ 14 por ação), a captação bruta atingirá US$ 96,2 milhões. O montante poderá alcançar US$ 110,2 milhões caso os bancos coordenadores da oferta exerçam integralmente o lote suplementar de 1 milhão de ações. No topo do intervalo de preço, o valor de mercado da companhia está estimado em cerca de US$ 242,7 milhões, com base na quantidade total de papéis em circulação detalhada no formulário regulatório.
Especializada em medicina genética de precisão, a Scribe foi fundada em 2020 sob a liderança de Benjamin Oakes — cofundador e atual CEO — e contou com o suporte científico de Jennifer Doudna, laureada com o Prêmio Nobel de Química por seu papel no desenvolvimento da tecnologia de edição genética CRISPR.
A startup nasceu com um aporte inicial de US$ 20 milhões e uma parceria de pesquisa com a Biogen, aproveitando a transferência de tecnologia desenvolvida originalmente no laboratório de Doudna na Universidade da Califórnia, Berkeley, para o aprimoramento de moléculas de edição genética de última geração.
Destinação dos Recursos e Pipeline Clínico
De acordo com o prospecto, a maior parte dos recursos obtidos na abertura de capital será canalizada para o avanço dos ensaios clínicos e programas de pesquisa focados em doenças cardiovasculares:
- STX-1150 (US$ 30 milhões a US$ 35 milhões): Financiamento do estudo de Fase 1 em andamento na Austrália com até 64 adultos portadores de colesterol LDL elevado e alto risco de doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA). A droga atua como um silenciador genético do gene PCSK9 — o mesmo alvo biológico de terapias estabelecidas como o Repatha (Amgen) e o Leqvio (Novartis). A expectativa é que os dados primários de eficácia na redução de LDL-C sejam divulgados no primeiro semestre de 2027, com a ambição técnica de oferecer cobertura terapêutica de longa duração (uma dose a cada uma ou duas décadas).
- STX-1400 e STX-1200 (US$ 30 milhões a US$ 40 milhões divididos igualmente): Recursos destinados a levar a terapia STX-1400 (focada no gene APOC3) para a fase de testes clínicos, além de avançar com o desenvolvimento do ativo pré-clínico STX-1200 (focado no gene LPA), ambos direcionados a desdobramentos da DCVA.
- Plataforma Tecnológica e Outros Projetos (US$ 20 milhões a US$ 25 milhões): Aporte para a continuidade das pesquisas em programas adicionais e para o aprimoramento contínuo de suas ferramentas de engenharia genética.
Apoio da Big Pharma
A tese de investimento da Scribe chega ao mercado secundário respaldada pelo suporte financeiro e estratégico de gigantes da indústria farmacêutica. A Sanofi — parceira em um acordo de desenvolvimento de US$ 1,5 bilhão firmado em 2023 — concordou em adquirir US$ 7,5 milhões em ações por meio de uma colocação privada simultânea ao IPO. Paralelamente, a Eli Lilly, que já figura na base de investidores da biotech, confirmou o interesse em adquirir papéis adicionais diretamente durante a oferta pública.









