O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a “prévia do PIB”, registrou alta de 0,78% em janeiro na comparação com dezembro, já descontados os efeitos sazonais. O dado, divulgado pela autarquia nesta segunda-feira (16), marca uma recuperação após a queda de 0,15% no mês anterior e veio praticamente em linha com a expectativa do mercado, que projetava expansão de 0,80%.
A retomada da atividade no início de 2026 foi impulsionada pelos setores de serviços e indústria, que cresceram 0,81% e 0,37%, respectivamente. Em contrapartida, a agropecuária registrou retração de 1,49%, após um desempenho forte no fechamento de 2025. Sem o peso do campo, o IBC-Br ex-agropecuária apresentou avanço de 0,86%.
O desempenho positivo em janeiro levou consultorias e instituições financeiras a consolidarem suas projeções para o ano. A XP Investimentos estima um crescimento de 1% para o primeiro trimestre e de 2% para o fechamento de 2026, destacando que medidas governamentais devem adicionar 0,9 ponto percentual ao produto nacional. Já a Suno Research projeta uma expansão de 1,8%, enquanto o PicPay trabalha com uma alta de 1,7% para o PIB anual.
A combinação de uma atividade econômica aquecida com dados de inflação persistentes colocou o Comitê de Política Monetária (Copom) em uma posição delicada. Embora parte do mercado ainda aposte em um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, cresce o coro por uma postura mais conservadora.
Para analistas, o cenário internacional cauteloso e o avanço da atividade interna sugerem que a expectativa de corte pode ser reduzida para 0,25 p.p. Já o Inter mantém a projeção de uma redução de meio ponto percentual, argumentando que o processo de desinflação e o cenário de desaceleração global — potencializado pelos altos preços do petróleo — justificam o ajuste no aperto monetário. “O mais adequado seria iniciar o ciclo de cortes, ajustando a intensidade conforme necessário”, defende o economista Valério, do Inter.
Atualmente, a taxa Selic encontra-se em 15%, e a decisão do Comitê, prevista para as próximas semanas, deverá arbitrar entre o estímulo ao crescimento e o controle rigoroso da inflação em meio a choques externos.









