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Home Colunas

CONFIAR OU NÃO CONFIAR, EIS A QUESTÃO!

Hyung Mo Sung por Hyung Mo Sung
07/04/2026
em Colunas
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Gostamos de alguém porque confiamos, ou confiamos porque gostamos desse alguém?

Essa dúvida passa despercebida na maior parte das vezes, mas será que existe uma relação entre ambas?

Os motivos pelos quais gostamos de alguém vão da identificação (compartilhamento dos mesmos valores), tendemos a gostar de quem gosta de nós, projetamos no outro valores que são importantes para nós, convivência e admiração, entre outros fatores subjetivos.

É natural que as pessoas tendam a confiar mais naquelas das quais gostem, mas colocar o sentimento de afeto como uma condição acaba por trazer problemas, além de que limita as possibilidades de novas relações.

Diferentemente do gostar, a confiança deve ser calcada em fatores objetivos, de tal modo que possamos estabelecer relações de confiança com pessoas, independentemente da amizade.

O primeiro critério a ser observado é a coerência entre o discurso e a prática, e manutenção da mesma  fala em diferentes lugares e momentos. Conheci pessoas que, conforme o ambiente e situação, contavam histórias distintas e ficava difícil saber qual era a versão verdadeira.

A coerência gera previsibilidade e sem ela não há  confiança. Como confiar em alguém se não sei se fará o que está falando?

O segundo aspecto a ser considerado é a competência, pois não é sábio confiar em alguém que persiste de modo coerente na mesma prática equivocada, incapaz de reconhecer e  rever os seus erros.

Nas situações acima mencionadas, não há uma que seja condição necessária e outra que seja suficiente. Ambas aparecem simultaneamente como condição necessária.

Mas pensando em uma situação onde existe um conflito de interesses com um agente externo ou uma disputa interna, como e qual a importância de se construir uma relação de confiança? É evitar a desconfiança improdutiva, que gera atraso e a improdutividade

Qualquer processo de negociação tem subjacente um conflito de interesses. Querer negá-lo será percebido como um processo de manipulação, fazendo ligar os sistemas de alerta, tornando o processo de decisão mais demorado. Explicitar os pontos de divergência e tornando-os  o mais claro possível, abre possibilidade para a construção de uma solução a quatro mãos, evitando o clássico jogo de ataque e defesa.

Ter clareza dos limites e objetivos de cada um dos lados permite, e focando nos objetivos e não nas posições, possibilita criar um clima de entrosamento, facilitando  concessões mútuas.

Adicionalmente, pode-se criar um processo de comum acordo entre as partes, criando protocolos claros que evitem surpresas e definição de “KPIs” que permitam um monitoramento periódico conjunto.

Às vezes temos disputas internas entre diferentes áreas ou diretorias e isso é mais frequente do que gostaríamos.

Essa é uma situação mais complexa, pois, muitas vezes, o conflito não é explícito e as batalhas se travam nas sombras. Desnecessário dizer que o resultado final é a corrosão da confiança mútua.

Em certa ocasião tive a rara felicidade de criar um programa de bônus para contornar a desconfiança que reinava entre  diferentes áreas, onde o mais comum era apontar o dedo ao outro para justificar alguma falha.

As pessoas costumam responder aos incentivos. Com isso, criamos um programa de remuneração variável que para todos os funcionários com critérios simples e transparentes.

Para unir todas as mentes e corações, o requisito básico desse programa era o resultado geral da companhia. Caso não atingíssemos o lucro orçado, ninguém receberia bônus, independentemente de sua performance. Para cada milhão de lucro adicional ao orçado, todos receberiam um bônus adicional. A performance individual era utilizada para definir se o colaborador teria direito a 100% , 95% e assim por diante.

Isso forçou a todos que olhassem não só o seu pedaço, mas também se preocupassem com o colega do lado. Todos compartilhavam o mesmo objetivo.

Essa estratégia gerou o maior lucro que a empresa atingiu até aquele momento.

Conclui-se, pois, que sim, é possível confiar. Para isso, precisamos criar as condições necessárias e um sistema objetivo de monitoramento e revisões permanentes, pois somente boas intenções e belas palavras não são suficientes.

Além do mais, a confiança aumenta a produtividade e reduz o stress!

Tags: Carreira
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Hyung Mo Sung

Psicanalista & Advisor Longa vivência no mundo corporativo com Mestrado em Economia pela USP E-mail: [email protected]

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