Em um cenário marcado pela expansão do e-commerce, pressão por eficiência operacional e restrições crescentes à logística urbana, as soluções baseadas em lockers deixaram de ser um recurso pontual para se tornarem parte da infraestrutura estratégica de cidades e operações empresariais. É nesse contexto que a Clique Retire, empresa especializada em soluções de autoatendimento, encerrou 2025 com um crescimento de 301% em relação ao ano anterior, presença ativa em 21 estados em todas as regiões do Brasil e investir cerca de R$ 20 milhões na expansão da rede de armários e no desenvolvimento de sistemas.
Entre seus clientes estão grandes nomes como Shopee, iFood, Raia Drogasil e Rock in Rio. Ao longo do ano passado, a companhia operou mais de 2.500 equipamentos distribuídos entre redes compartilhadas, mistas e dedicadas, impactando diretamente mais de 1 milhão de pessoas e processando mais de 3,3 milhões de operações entre entregas, retiradas, devoluções e armazenagem. Segundo dados internos, 99,8% dessas transações ocorreram de forma totalmente automatizada, reduzindo falhas de entrega, filas e custos operacionais para empresas e gestores de espaços.
“Existe uma mudança estrutural acontecendo. O locker deixou de ser uma conveniência e passou a funcionar como um ativo operacional e logístico, capaz de organizar fluxos, reduzir custos e melhorar a experiência do usuário final”, afirma Gustavo Artuzo, fundador da Clique Retire.
A empresa também recebeu reconhecimento internacional. Após ser uma das três finalistas entre mais de 1.000 inscrições no programa Santander X Brasil, iniciativa do Banco Santander em parceria com o Distrito para identificar empresas promissoras do ecossistema de inovação, a Clique Retire foi escolhida para representar o país no Santander X Global Award, em Barcelona. A premiação reúne anualmente algumas das scale-ups mais inovadoras do mundo, avaliadas por impacto, escalabilidade e capacidade de transformação de mercado.
Ao figurar entre as finalistas globais na categoria Scaleups, a Clique Retire consolida sua posição como uma das 10 empresas emergentes de alto crescimento mais relevantes globalmente em inovação, sustentabilidade e potencial de impacto. Para Artuzo, esse resultado reforça o valor da tecnologia nacional: “É um orgulho constatar que a tecnologia desenvolvida no Brasil é capaz de competir em igualdade de condições nos principais palcos internacionais de inovação”.
Parte do crescimento está ligada à diversificação dos modelos de operação. A empresa estruturou sua atuação em três formatos principais – rede compartilhada, mista e dedicada -, permitindo atender desde grandes embarcadores do e-commerce até condomínios residenciais, indústrias, redes varejistas e eventos de grande porte. Na rede compartilhada, lockers próprios da empresa são instalados em pontos de alta circulação urbana, como áreas centrais, hubs de transporte e centros comerciais, atendendo múltiplos embarcadores.
Já nos modelos mistos e dedicados, integrados à operação de varejistas, surgem novas possibilidades de utilização da tecnologia de autoatendimento, melhorando a experiência dos consumidores, gerando fidelização e recorrência de compras, além de viabilizar publicidade e ativações nos próprios equipamentos.
No varejo e no setor farmacêutico, os armários inteligentes passaram a funcionar como extensão física do e-commerce, com até 98% dos pedidos online retirados pelo canal, reduzindo o tempo de atendimento em loja e liberando equipes para atividades de maior valor agregado.
Em condomínios residenciais, prédios de short stay e empreendimentos corporativos, soluções como lockers para encomendas, delivery de alimentos e armazenamento temporário de bagagens reduziram em 99% o fluxo de entregas nas portarias, segundo a empresa. Na logística reversa, a vertical Clique Log ganhou tração ao oferecer devoluções via locker com menor custo e maior taxa de sucesso na primeira tentativa, um fator crítico em um setor pressionado por margens cada vez mais estreitas.
Para este ano, a Clique Retire projeta dobrar novamente, com foco na expansão de projetos existentes, consolidação da vertical de logística reversa e aprofundamento de parcerias com varejistas, operadores logísticos, administradoras de condomínios e gestores de espaços urbanos. “A logística urbana do futuro não será sustentada apenas por software. Infraestrutura física inteligente, integrada e escalável será determinante para sustentar eficiência e experiência nos próximos anos”, conclui Artuzo.








