O mercado global de café verde operou em um cenário de forte rearranjo geográfico e de variedades em março, resultando em uma estabilidade dinâmica. De acordo com o relatório mensal divulgado pela Organização Internacional do Café (OIC), as exportações mundiais da commodity registraram um leve avanço de 0,8% na comparação anual, consolidando um volume total de 11,7 milhões de sacas de 60 kg.
O dado revela um cabo de guerra entre diferentes regiões produtoras: de um lado, a forte expansão nos embarques de café robusta e a resiliência de parte da América Central sustentaram o índice positivo; de outro, gargalos logísticos e de safra na América do Sul exerceram uma forte pressão baixista.
O grande protagonista do período foi o café robusta (ou conilon), cujos embarques globais deram um salto expressivo de 24% em relação ao mesmo mês do ano anterior, atingindo a marca histórica e recorde de 5,52 milhões de sacas. Esse desempenho foi amplamente impulsionado pelo Vietnã, o maior produtor global dessa variedade, que viu suas exportações crescerem 30,3% no intervalo.
A forte demanda por robusta reflete a busca da indústria global por matéria-prima mais acessível para blends e café solúvel, em um momento de preços elevados para o arábica.
Paralelamente, na vertente dos cafés finos, a categoria conhecida como “outros suaves” — que engloba o café arábica lavado produzido em nações centro-americanas como Honduras, Guatemala e Nicarágua — operou em estabilidade com viés de alta, avançando 0,9% para somar 2,59 milhões de sacas.
Em contrapartida, os dois gigantes da produção de café arábica na América do Sul registraram retrações severas que impediram uma expansão mais robusta do comércio global.
A Colômbia, famosa por seus cafés de alta qualidade, sofreu uma queda drástica de 33,8% nas exportações de arábicas suaves, recuando para apenas 0,88 milhão de sacas, prejudicada por severas dificuldades no abastecimento e na colheita local.
O Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity, também enfrentou um mês de retração: os embarques de arábicas naturais brasileiros encolheram 16,8% no confronto anual, fechando o período em 2,71 milhões de sacas. Analistas apontam que a combinação de menor disponibilidade interna de estoques e entraves logísticos pontuais foram os principais responsáveis por frear o ritmo do comércio exterior brasileiro no mês.









