A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) lançou, nesta terça-feira (9), a segunda fase do Projeto Minas Recicla Energia, iniciativa voltada à melhoria da gestão de resíduos sólidos urbanos. Parceira do programa, a InterCement Brasil, uma das principais produtoras de cimento do país, contribuirá para ampliar o aproveitamento energético de resíduos da coleta seletiva e de materiais volumosos, transformando esses materiais em combustível alternativo para a produção de cimento.
Além de favorecer a economia circular, a iniciativa reduz o envio de resíduos para aterros sanitários e amplia as oportunidades de geração de renda para cooperativas e catadores de materiais recicláveis em municípios mineiros. Anderson Diniz, subsecretário de Meio Ambiente do Governo de Minas, ressalta a importância de utilizar os materiais que permanecem sem aproveitamento após a reciclagem para aumentar a eficiência energética e reduzir o volume destinado aos aterros. “A parceria com a InterCement Brasil e as prefeituras é fundamental para essa destinação e para a parte socioambiental, para que os catadores consigam fazer uma renda disso também”, afirma.
Ijaci, município onde a InterCement Brasil mantém uma de suas fábricas, também participa do projeto. “A iniciativa está diretamente ligada à preservação ambiental e ao descarte adequado dos resíduos que permanecem sem destinação após a coleta seletiva”, afirmou Nelson Mesquita, prefeito da cidade.
Iniciado em 2023, o Minas Recicla Energia avança para sua segunda fase com ampliação das operações e participação de novos parceiros. Além da InterCement Brasil e do Governo de Minas, integram o projeto as prefeituras de Lavras, Ijaci e Nepomuceno, além do Grupo Renova, especializado no tratamento desse tipo de resíduo. O projeto conta ainda com o apoio da Universidade Federal de Lavras e da ABNT.
Com o auxílio de cooperativas e catadores dos três municípios, a estimativa é que sejam coletadas e coprocessadas cerca de 150 toneladas de resíduos por mês. Esse volume deixará de seguir para aterros sanitários e será transformado em combustível alternativo para os fornos da InterCement Brasil. No coprocessamento, combustíveis fósseis tradicionais, como carvão mineral e coque de petróleo, são substituídos por combustíveis derivados de resíduos sólidos urbanos (CDRU), biomassas e pneus inservíveis, utilizados na geração de energia térmica e na fabricação do cimento.
Segundo Cristiano Ferreira, gerente de Coprocessamento da InterCement Brasil, a tecnologia permite reaproveitar materiais que não possuem valor comercial e que normalmente seriam descartados, transformando-os em insumo energético para a indústria. “É um projeto que não somente incentiva a sustentabilidade, mas também cria uma nova oportunidade de geração de renda para os catadores e fortalece a inclusão social”, completa.
Marli de Alves Rocha, da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Matozinhos, que participou da primeira fase do projeto, também endossa a iniciativa. “Além das melhorias para o meio ambiente, a gente ainda recebe pelos rejeitos que antes não recebíamos”, afirma.
Já Edvânia Carvalho, representante da Reciclanep, de Nepomuceno, está animada para participar da segunda fase do projeto, momento que considera histórico. “Acredito que o Minas Recicla vai dar muito certo aqui no Sul do estado e vai trazer mais segurança para nós, catadores”, afirma.









