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O erro que faz empresas venderem mais e ainda assim perderem dinheiro

Murilo Rodrigues por Murilo Rodrigues
22/06/2026
em Sem categoria
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Ter uma equipe de marketing, um time comercial e investimento em anúncios não garante crescimento. Em muitas empresas, os clientes entram por uma porta e saem por outra antes que a operação consiga transformar venda em relacionamento.

Esse problema é conhecido no mercado como “balde furado”. A empresa atrai novos clientes, investe em campanhas, gera leads e fecha contratos, mas perde parte relevante da base por falhas de atendimento, falta de acompanhamento, comunicação desalinhada ou ausência de dados integrados.

Para Renata Genari, especialista em marketing estratégico e marca pessoal na era da inteligência artificial, esse é um dos erros mais comuns em empresas que querem crescer, mas não conseguem sustentar resultado.

“Ter um time de marketing e um time de vendas não significa ter uma empresa que vende bem. A estrutura está montada, há investimento todo mês, e o resultado não vem”, afirma.

Marketing e vendas ainda não conversam

Um dos principais gargalos está na falta de integração entre marketing e comercial. Segundo o Panorama de Marketing e Vendas 2025 da RD Station, apenas 18% das empresas consideram satisfatória a integração entre as duas áreas. O mesmo levantamento aponta que 57% não mantêm um acordo definido entre os times.

Quando essa conexão não existe, o marketing pode gerar oportunidades qualificadas, mas o comercial não dá sequência adequada ou apresenta uma proposta de valor diferente daquela usada para atrair o cliente.

A consequência é perda de eficiência. O lead, que custou dinheiro para ser gerado, não avança no funil de vendas ou chega ao atendimento sem uma jornada clara.

“Marketing e vendas não se falam. Existe a crença de que isso é defeito de empresa pequena ou mal estruturada. Não é. Encontro a mesma desorganização em empresas que faturam bilhões”, afirma Renata.

O cliente entra, mas não fica

O segundo sintoma aparece quando a empresa vende, mas o faturamento não cresce na mesma proporção. Nesse caso, o problema costuma estar na retenção.

A empresa conquista clientes novos, mas perde consumidores antigos por atendimento ruim, falta de suporte, ausência de relacionamento ou pouca clareza sobre a jornada do cliente.

Renata afirma que muitas empresas não acompanham o churn, indicador que mede a perda de clientes em determinado período. Sem esse dado, o negócio pode acreditar que está crescendo quando, na verdade, está apenas substituindo clientes perdidos por novos compradores.

“O que chamo de balde furado acontece quando entra cliente pela porta da frente enquanto a empresa segue perdendo clientes pela porta dos fundos”, diz.

O impacto financeiro é relevante. Segundo pesquisas citadas pela especialista, reter um cliente pode custar até cinco vezes menos do que conquistar um novo. Além disso, elevar a retenção em 5% pode aumentar o lucro entre 25% e 95%.

Falta de dados prejudica decisões

A ausência de informações integradas é outro fator que compromete o crescimento. Em muitas empresas, cada área trabalha com seus próprios controles, planilhas e canais de comunicação.

O comercial usa uma base, o marketing acompanha outra, o atendimento registra parte das interações e o financeiro acessa informações com atraso. Esse modelo limita a visão sobre o cliente e dificulta decisões mais precisas.

“Quando a informação não está integrada, a empresa perde a visão do próprio cliente, não enxerga o churn e decide no escuro”, afirma Renata.

A dificuldade também aparece na comprovação de retorno. O relatório Tendências de Marketing 2026, da Conversion, aponta que 55,3% das empresas veem na comprovação do retorno das ações de marketing seu maior desafio.

Sem dados confiáveis, campanhas, vendas e ações de relacionamento passam a ser avaliadas por percepções isoladas, não por evidências.

Marca também influencia a venda

Além da integração entre áreas, a reputação da marca pesa diretamente no resultado comercial. Uma empresa bem posicionada reduz a desconfiança do cliente antes mesmo da abordagem de vendas.

Para Renata, marca, pessoas e processos fazem parte da mesma engrenagem. Uma comunicação forte pode atrair o cliente, mas a venda depende da coerência entre promessa, atendimento e entrega.

Quando o discurso da marca não se confirma na experiência, a empresa perde confiança. O cliente até compra uma vez, mas não necessariamente volta.

A estrutura do time também interfere nesse processo. Papéis mal definidos, falta de treinamento e ausência de uma proposta de valor comum tornam a jornada mais frágil.

IA pode ajudar, mas não resolve sozinha

A inteligência artificial tem ampliado as possibilidades de automação em marketing, vendas e atendimento. Ferramentas de IA podem organizar dados, apoiar análises, personalizar comunicações e identificar padrões de comportamento.

O risco, segundo Renata, é usar tecnologia para acelerar processos desorganizados. Se a empresa não sabe onde perde clientes, quais canais funcionam ou como os times se conectam, a automação pode apenas tornar o erro mais rápido.

Antes de investir em novas ferramentas, a recomendação é fazer um diagnóstico da operação. Esse raio-X deve analisar marketing, vendas, atendimento, jornada do cliente, dados disponíveis, sistemas utilizados e pontos de perda ao longo do processo.

Crescer exige consertar o balde

Empresas que querem crescer de forma sustentável precisam olhar menos para ações isoladas e mais para a estrutura completa de aquisição, venda e retenção.

Atrair novos clientes continua importante, mas o crescimento fica limitado quando a empresa não consegue manter a base que já conquistou.

Para Renata, o primeiro passo é integrar dados, comunicação e tecnologia em uma mesma direção.

“No fim, o que separa a empresa que cresce daquela que só gira em torno das próprias metas não é o tamanho do orçamento, e sim a capacidade de fazer dados, comunicação e tecnologia caminharem na mesma direção”, afirma.

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Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Ao longo da carreira, participou da produção de conteúdos voltados à tecnologia, comportamento e inovação, com passagem por veículos como TechTudo e GZH. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Pautas em [email protected]

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