A crescente complexidade do sistema tributário brasileiro e a proximidade das mudanças previstas pela Reforma Tributária têm levado empresas a buscar novas formas de tornar suas operações fiscais mais eficientes. De olho nesse cenário, a Kie-Tec, empresa residente da HOTMILK, ecossistema de inovação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), está desenvolvendo sua startup a Datakie.ai, uma solução de inteligência artificial chamada FiscDoc.ai voltada à estruturação, interpretação e análise de documentos fiscais.
Desenvolvida em parceria com o Centro Integrado de Soluções em Inteligência Artificial da PUCPR (CISIA), a tecnologia utiliza uma base de mais de 18 milhões de documentos fiscais para treinar modelos capazes de automatizar processos de conciliação tributária, auditoria e validação de informações. A iniciativa tem foco inicial em operações relacionadas à Zona Franca de Manaus, considerada um dos ambientes tributários mais complexos do país. A expectativa é que a solução contribua para reduzir o trabalho manual das equipes fiscais, aumentar a precisão das análises e acelerar processos que tradicionalmente demandam grande volume de horas operacionais.
Segundo Alexsandro Brum, CEO da Kie-Tec, a proposta é desenvolver uma tecnologia nacional capaz de transformar a forma como as empresas lidam com documentos fiscais e auditorias tributárias. “A área fiscal ainda dedica muito tempo a atividades repetitivas de conferência, validação e cruzamento de informações. Com inteligência artificial, é possível automatizar grande parte desse trabalho, aumentar a confiabilidade das análises e permitir que os profissionais concentrem esforços em atividades mais estratégicas para o negócio”, afirma.
A solução também busca oferecer maior independência tecnológica para organizações brasileiras, utilizando modelos desenvolvidos a partir da realidade fiscal do país e treinados com uma ampla base documental.
A Datakie.ai nasce da experiência acumulada pela Kie-Tec ao longo de quase uma década atuando em projetos de dados, automação e inteligência de negócios. Fundada em 2017, a empresa já atendeu mais de 50 clientes nacionais e multinacionais de médio e grande porte, apoiando organizações na estruturação de informações, governança de dados, integração de sistemas e inteligência artificial aplicada.
Atualmente, a startup possui em seu portfólio empresas como Electrolux, Volvo Financial Services, Mondelez International, SLB OneSubsea, CBRE e Itaipu Binacional, além de projetos desenvolvidos para clientes nos Estados Unidos, Noruega e outros países da Europa.
Ao longo dessa trajetória, a companhia participou de iniciativas que resultaram na redução de até 90% do tempo necessário para construção e consolidação de dados em áreas de inteligência de mercado, além da automação de processos que antes exigiam dias de trabalho manual.
Para Brum, o avanço da inteligência artificial tem reforçado uma necessidade que muitas empresas ainda negligenciam: a qualidade dos dados. “A inteligência artificial só gera valor quando existe uma base sólida de informações. Antes de aplicar IA, é preciso garantir governança, organização e qualidade dos dados. Caso contrário, o risco é apenas acelerar erros e decisões equivocadas”, explica.
A aposta da Kie-Tec na Datakie.ai acompanha um movimento mais amplo observado no mercado brasileiro. Com a evolução das ferramentas de análise, automação e inteligência artificial, cresce a demanda por soluções que permitam transformar grandes volumes de dados em informações confiáveis para tomada de decisão.
Na avaliação do executivo, as empresas brasileiras estão entrando em uma nova fase de maturidade digital, na qual os dados deixam de ser apenas registros operacionais e passam a ser ativos estratégicos para geração de eficiência, redução de custos e vantagem competitiva.
“Cada vez mais as organizações entendem que os dados têm valor econômico. As empresas que conseguirem organizar, proteger e explorar esses ativos de forma inteligente estarão mais preparadas para competir em um ambiente de negócios cada vez mais complexo e orientado por informação”, conclui.









