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Home Mercado

Ele passou 17 anos no Bradesco, perdeu R$ 350 mil em uma semana e teve de recomeçar no mercado

Murilo Rodrigues por Murilo Rodrigues
08/07/2026
em Mercado
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Igor Monteiro passou 17 anos no Bradesco, avançou até posições executivas e construiu patrimônio enquanto desenvolvia uma relação cada vez mais próxima com o mercado financeiro. Depois de deixar o banco, porém, uma sequência de operações alavancadas provocou a maior ruptura de sua trajetória: em cerca de uma semana, perdeu R$ 350 mil.

O prejuízo representava, segundo seu relato, aproximadamente 90% da liquidez que possuía naquele momento. A perda foi grande o suficiente para exigir venda de bens e uma reorganização da vida financeira.

A virada não aconteceu por falta de contato com investimentos. Monteiro já acompanhava renda variável havia anos e mantinha interesse por ações e operações de mercado durante a carreira bancária. O problema surgiu quando passou a operar minicontratos sem compreender plenamente a dimensão da exposição criada pela alavancagem.

A história foi relatada pelo trader no episódio 256 do GainCast, em entrevista repercutida pelo InfoMoney. Em vez de tentar recuperar rapidamente o dinheiro perdido, Monteiro afirma ter reconstruído sua atuação reduzindo drasticamente o tamanho das posições e colocando a gestão de risco no centro do processo.

De uma carreira de 17 anos no banco ao mercado

A entrada de Monteiro no setor financeiro ocorreu pelo Bradesco. Ao longo de 17 anos, ele passou por diferentes funções até alcançar a diretoria executiva.

Parte dessa evolução esteve ligada a um perfil fortemente orientado a dados. O executivo buscava conhecer processos internos, produtos financeiros e indicadores de desempenho, uma característica que depois levou para a própria forma de operar no mercado.

O interesse por renda variável cresceu paralelamente à carreira bancária. Em um primeiro momento, o objetivo estava mais próximo da construção tradicional de patrimônio, com atenção a grandes empresas listadas, como Petrobras e Vale.

As operações de curto prazo ganharam espaço conforme a infraestrutura tecnológica do mercado evoluiu. Monteiro recorda uma época em que ordens tinham processamento muito mais lento e compara essa experiência com a velocidade disponível atualmente nas plataformas de negociação.

A frequência aumentou a partir de 2017. De acordo com seu relato, as operações se tornaram parte constante da rotina.

A saída do Bradesco, entretanto, não ocorreu inicialmente para que se tornasse trader em tempo integral. A intenção era empreender. Foi nessa nova fase profissional que o mercado acabou ocupando espaço maior.

Alavancagem transformou erro em perda de R$ 350 mil

A crise ocorreu durante a transição para operações mais ativas.

Minicontratos permitem movimentar uma exposição financeira superior ao capital efetivamente depositado como margem. Esse mecanismo pode ampliar resultados positivos, mas também acelera perdas quando o mercado se move contra a posição.

Monteiro afirma que entrou nessa dinâmica sem compreender completamente o tamanho do risco assumido.

Em aproximadamente uma semana, o prejuízo chegou a R$ 350 mil. O montante praticamente eliminou a liquidez acumulada durante anos de trabalho.

A perda expôs um dos principais riscos da alavancagem: pequenas oscilações do ativo podem produzir impactos muito maiores sobre o patrimônio quando a posição é desproporcional ao capital disponível.

Para Monteiro, o episódio encerrou a fase em que a recuperação rápida do dinheiro era tratada como objetivo. A reconstrução passou a depender de uma operação menor, mais controlada e acompanhada por métricas.

Recomeço veio com R$ 30 a R$ 50 por dia

O retorno aconteceu em uma escala muito diferente.

Depois do prejuízo, Monteiro reduziu as posições e passou a trabalhar com objetivos diários que ficavam, segundo seu relato, entre R$ 30 e R$ 50.

A escolha contrariava uma reação comum após grandes perdas, quando o investidor aumenta o risco na tentativa de recuperar rapidamente o capital. No caso dele, a estratégia foi fazer o oposto.

O trader também buscou aprender com operadores mais experientes e concentrou esforços na repetição de processos. O foco deixou de ser o tamanho do ganho em uma sessão e passou para a qualidade da execução.

Esse período foi usado para reconstruir tanto o capital quanto a confiança necessária para operar novamente.

Com o tempo, Monteiro desenvolveu um método apoiado em análise gráfica, leitura de contexto, acompanhamento estatístico e controle de risco. A alavancagem não desapareceu completamente, mas passou a ser tratada como uma variável a ser limitada.

Dados passaram a orientar as decisões

A experiência bancária voltou a aparecer na nova fase.

Monteiro passou a registrar e analisar os próprios resultados para identificar regiões de entrada, padrões recorrentes, tamanho adequado de stop e comportamento das estratégias em diferentes cenários.

A lógica é trabalhar com probabilidades, e não considerar uma operação isolada como prova de que determinada leitura está correta.

Essa abordagem também alterou a relação com perdas. Em vez de aumentar posições após uma sequência negativa, a gestão de risco procura impedir que um único período comprometa parcela desproporcional do patrimônio.

O método não elimina a possibilidade de prejuízo. Day trade é uma atividade de alto risco, e resultados individuais não garantem desempenho semelhante para outros operadores. Custos, alavancagem e decisões tomadas sob pressão podem ampliar rapidamente as perdas.

Tags: day tradegestão de riscoIgor MonteiroInvestimentosMercado FinanceirominicontratosTrader
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Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Pautas em [email protected]

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