Os contratos futuros de petróleo operam em forte rali na manhã desta quarta-feira (8), registrando valorizações superiores a 5%. A disparada nos preços internacionais foi deflagrada após a confirmação oficial por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o acordo diplomático entre Washington e Teerã foi integralmente rompido. O anúncio sucedeu uma nova rodada de confrontos militares diretos e ataques recíprocos entre as duas nações ao longo da terça-feira (7), reacendendo o temor global de uma escalada bélica descontrolada no Oriente Médio.
Os contratos futuros do petróleo Brent, que atuam como a referência internacional de preços, registraram um salto de 5,47%, sendo negociados no patamar de US$ 78,22 por barril. Paralelamente, os papéis futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI), balizador do mercado norte-americano, avançaram 5,20%, cotados a US$ 74,09 por barril. A pressão compradora já vinha se desenhando no after market da véspera, quando os ativos chegaram a subir mais de 6,3% logo após o Comando Central dos EUA (Centcom) confirmar uma ofensiva aérea em território iraniano, em retaliação a bombardeios promovidos pelo país persico na região do Estreito de Ormuz.
De acordo com a análise de Bruno Cordeiro, analista de mercado da consultoria StoneX, a quebra definitiva do canal diplomático recoloca o risco geopolítico de oferta no centro das atenções dos operadores em Nova York e Londres. A escalada militar gera incertezas severas sobre a segurança e a continuidade do escoamento de navios-tanque pelo Golfo Pérsico. Caso o fluxo marítimo local seja estrangulado ou reduzido substancialmente, haverá um impacto estrutural severo sobre o equilíbrio entre a oferta e a demanda da commodity, afetando prioritariamente as refinarias e cadeias de suprimento localizadas na Ásia e na Europa Ocidental.
A nova onda de violência envolveu diretamente alvos civis e logísticos estratégicos na região. O Ministério das Relações Exteriores do Catar confirmou que o navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) Al-Rekayyat, de bandeira catariana, foi atacado por forças iranianas enquanto navegava nas proximidades do Estreito de Ormuz. O porta-voz do governo do Catar, Dr. Majed al Ansari, condenou veementemente a ação em manifestações públicas, exigindo a cessação imediata de práticas que ameacem a navegação marítima internacional e atribuindo ao Irã total responsabilidade jurídica e financeira pelos danos estruturais causados à embarcação.
O monitoramento de crise feito pelo Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) apontou que a situação na região é de extrema gravidade. O órgão de segurança britânico reportou que, além do navio catariano, uma segunda embarcação de transporte que transitava pelo estreito foi atingida por um projétil de origem não identificada, sofrendo avarias em sua estrutura física a cerca de 8 milhas náuticas a leste de Limah, em Omã.
A contraofensiva norte-americana, por sua vez, foi inicialmente veiculada pela emissora estatal iraniana Press TV. Relatos locais indicaram que múltiplas explosões e bombardeios pesados foram ouvidos na cidade portuária de Sirik, localizada no sul do Irã, uma região estratégica de acesso ao Golfo. Este movimento marcou o primeiro choque militar de grande escala promovido abertamente pelos Estados Unidos contra o território soberano do Irã desde o encerramento do ciclo de hostilidades e bombardeios mútuos verificado no final do mês passado.









