A Volkswagen planeja cortar cerca de 50.000 empregos adicionais como parte de uma estratégia drástica para manter sua competitividade no acirrado mercado automotivo global. O anúncio foi feito pelo CEO da montadora, Oliver Blume, em um memorando interno direcionado aos funcionários, confirmando, pela primeira vez, que a meta total de redução da companhia pode atingir a marca de 100.000 postos de trabalho em todo o mundo.
O movimento reflete o momento desafiador enfrentado por Blume para modernizar a maior montadora de automóveis da Europa. A empresa vem sofrendo com uma severa queda em seus lucros, pressionada por custos tarifários bilionários, pela perda de espaço frente à concorrência agressiva na China e pela urgência de eficiência em sua rede de produção na Alemanha.
O grupo já havia aprovado o corte inicial de 50.000 vagas — englobando também suas subsidiárias de luxo Porsche e Audi —, mas o memorando aponta que a empresa opera com uma desvantagem de custos de 20% em relação aos concorrentes diretos, justificando a nova leva de demissões.
Diante do cenário crítico, as ações da Volkswagen despencaram para os níveis mais baixos registrados desde julho de 2010, apresentando um desempenho substancialmente inferior ao de seus principais rivais de mercado. De acordo com o documento, a administração está avaliando o tamanho exato dos ajustes necessários e viáveis em todas as marcas, empresas e regiões para estancar a crise.
O vazamento do memorando intensificou o clima de tensão interna, ocorrendo logo após protestos de trabalhadores que exigiam esclarecimentos sobre os planos de reestruturação apresentados ao conselho de supervisão da montadora.
Fontes familiarizadas com o assunto relataram que os representantes dos trabalhadores no conselho bloquearam as propostas iniciais, as quais incluíam não apenas os desligamentos em massa, mas também o possível fechamento de quatro fábricas na Alemanha.
No texto, Blume admitiu que a administração ainda não conseguiu confirmar a viabilidade competitiva para as usinas de Emden, Hanover, Zwickau e Neckarsulm na década de 2030.
Oficialmente, a Volkswagen optou por omitir os cortes e fechamentos em seu comunicado público pós-reunião, limitando-se a anunciar planos para reduzir a capacidade de produção e reduzir pela metade sua extensa linha de modelos — medidas que analistas de mercado já consideram insuficientes para mitigar os problemas estruturais da gigante automotiva.









