A Espaço Smart, especializada em sistemas de construção a seco, projeta alcançar faturamento de R$ 1,2 bilhão em 2026. A empresa encerrou o primeiro semestre com receita de R$ 560 milhões e aposta na expansão da rede, no aumento da capacidade industrial e na formação de profissionais para sustentar o crescimento.
O desempenho representa uma nova aceleração para o negócio. Em 2025, a companhia registrou faturamento de R$ 728 milhões. Antes disso, havia alcançado receita operacional líquida de R$ 376,8 milhões nos 12 meses considerados pelo ranking Negócios em Expansão, da Exame.
Fundada em 2014, em Ponta Grossa, no Paraná, a Espaço Smart atua com o light steel frame, sistema que substitui parte dos tijolos e do cimento por estruturas de aço galvanizado e placas industrializadas.
A tecnologia é utilizada há décadas em mercados como Estados Unidos e Canadá, mas ainda responde por aproximadamente 1% da construção brasileira, segundo dados apresentados pela empresa.
Para Fernando Scheffer, fundador e diretor de marketing da Espaço Smart, a baixa participação representa uma oportunidade para ampliar o negócio.
“O steel frame tem um espaço de crescimento gigantesco, podendo crescer 100% ou mais nos próximos anos, simplesmente capturando uma fração maior de um mercado já existente e maduro”, afirmou em entrevista à Exame.
Expansão busca levar steel frame a novas regiões
Uma das frentes previstas para alcançar a meta de 2026 é a abertura de operações em regiões onde o método ainda tem baixa presença, mas apresenta demanda potencial.
A estratégia comercial também envolve facilitar o acesso aos materiais e ampliar a divulgação de informações técnicas para consumidores, arquitetos e empresas de construção.
Velocidade de execução, previsibilidade de custos e menor geração de resíduos estão entre os argumentos utilizados pela companhia para aumentar a adoção do sistema.
“Queremos nos posicionar como uma grande alternativa para quem busca construir ou reformar de forma mais inteligente e inovadora”, diz Scheffer.
Apesar do avanço, o executivo não acredita que a construção a seco substituirá a alvenaria tradicional no curto ou no médio prazo. A expectativa é que o sistema conquiste gradualmente uma parcela maior das novas obras e reformas.
Investimento de R$ 30 milhões amplia produção
Nos últimos dois anos, a Espaço Smart investiu cerca de R$ 30 milhões na ampliação de seu parque fabril em Ponta Grossa.
Localizada no complexo SmartLand, a expansão elevou em 30% a capacidade produtiva e de engenharia da companhia. O aporte também foi direcionado à eficiência logística e à padronização das entregas em diferentes regiões do país.
De acordo com a empresa, a estrutura se tornou a maior indústria de steel framing da América Latina.
O reforço industrial foi realizado para atender ao aumento da demanda e reduzir gargalos no fornecimento de componentes. A produção em escala também é considerada fundamental para tornar o método mais competitivo diante da construção convencional.
Espaço Smart contrata 280 pessoas em 23 estados
O avanço da rede levou à contratação de 280 funcionários em 23 estados somente durante o primeiro semestre de 2026.
A maior parte das admissões ocorreu nas áreas comerciais e de atendimento, acompanhando a abertura de lojas físicas. Também houve reforço nos times de indústria, logística, engenharia, projetos, tecnologia, marketing e setores corporativos.
A falta de profissionais familiarizados com o light steel frame, porém, ainda representa um desafio para a expansão.
Em diversas cidades, a Espaço Smart é uma das primeiras empresas especializadas no método. Por esse motivo, parte dos novos funcionários vem de áreas relacionadas, como varejo de materiais e construção civil tradicional.
“Precisamos formar talentos do zero, muitas vezes recrutando profissionais de áreas correlatas”, explica Scheffer.
Empresa já capacitou mais de 14 mil profissionais
Para ampliar a oferta de mão de obra, a Espaço Smart afirma ter capacitado mais de 14 mil profissionais em sistemas de construção a seco.
Há cerca de dez anos, a companhia mantém o treinamento Construindo em Light Steel Frame, desenvolvido em parceria com o Senai. O programa reúne aulas teóricas e práticas sobre leitura de projetos, montagem de estruturas, instalação de fechamentos e especificação de componentes.
Atualmente, a empresa opera centros de treinamento em São Paulo, São José do Rio Preto, Belo Horizonte, Ponta Grossa, Brasília, Salvador, Goiânia, Recife, Porto Alegre, Fortaleza, Florianópolis e Vitória.
Além de reduzir o déficit de mão de obra, a capacitação ajuda a companhia a formar uma rede de profissionais que podem ser indicados aos clientes.
“Quanto mais profissionais capacitados estiverem disponíveis, maior será a capacidade do setor de executar obras com qualidade e ampliar a adoção da construção industrializada no Brasil”, afirma o fundador.









