A Abercrombie & Fitch (ANF.N) divulgou, nesta quarta-feira, suas projeções financeiras para o ano fiscal de 2026, sinalizando um crescimento moderado nas vendas e detalhando o impacto das novas políticas comerciais dos Estados Unidos. A varejista prevê um avanço nas vendas líquidas entre 3% e 5%, alinhado à estimativa de 4,2% projetada por analistas de mercado.
O cenário operacional da companhia está sendo diretamente moldado pelas recentes decisões tarifárias do governo de Donald Trump. Após a Suprema Corte derrubar taxas emergenciais anteriores, os EUA passaram a aplicar uma tarifa fixa temporária de 10% sobre importações, com planos de elevação para 15%.
A Abercrombie, que possui a maioria de seus fornecedores em países como Vietnã, Indonésia e Camboja, estimou que essas medidas representarão um impacto de 70 pontos-base em suas margens ao longo do ano.
Apesar do desafio logístico e tributário, o otimismo da empresa reflete-se na projeção de lucro líquido por ação, estimada entre US$ 10,20 e US$ 11. O ponto médio dessa meta supera a expectativa de US$ 10,36 compilada pela LSEG.
Vale destacar que este cálculo é conservador, pois não contabiliza eventuais reembolsos ou recuperações de valores referentes às tarifas que foram anuladas pela justiça.
O desempenho recente da marca também superou as expectativas no curto prazo. No quarto trimestre, a Abercrombie registrou um lucro líquido ajustado por ação de US$ 3,68, batendo a previsão de US$ 3,57 dos analistas.
Os resultados demonstram a resiliência da varejista em um ambiente macroeconômico volátil, marcado pela reestruturação das cadeias de suprimentos globais e pelas novas dinâmicas do comércio exterior norte-americano.
