A Academia Gaviões saiu de cinco unidades no período pré-pandemia para 90 endereços nos últimos cinco anos. Com o modelo de franquias como motor de expansão, a rede agora mira dobrar o número de academias no próximo ano.
Para Priscila Aguiar, CEO da companhia, o crescimento acelerado trouxe uma preocupação central: manter o padrão de atendimento, a cultura da marca e a experiência entregue a alunos, colaboradores e franqueados.
“A maior dor é manter a qualidade. É o desafio que a gente tem que abraçar. Eu tenho que olhar muito para a marca, o que a nossa marca Gaviões está entregando para cliente, para colaborador e para franqueado. Ainda está na minha mão dar o treinamento em toda nova inauguração, antes de inaugurar um novo ponto”, afirmou a executiva no Divã de CNPJ, do Canal UOL.
Franquias aceleraram o crescimento
A mudança para o modelo de franquias reduziu a complexidade em relação ao formato anterior, baseado em sócios cotistas. Ao mesmo tempo, aumentou a necessidade de suporte aos operadores da rede.
A empresa precisa garantir que cada franqueado reproduza o padrão da marca, da rotina de atendimento ao treinamento das equipes.
“Todo esse carinho, esse cuidado que a gente sempre teve nesse nosso negócio, agora é na mão de franqueados que precisam abraçar essa missão da mesma forma”, disse Priscila.
A operação ainda mantém forte presença familiar. Segundo a CEO, um dos irmãos atua na expansão da marca, enquanto outro fica à frente da tecnologia. Os pais seguem próximos da supervisão do negócio.
Rede quer crescer sem disputa agressiva
Mesmo com a meta de dobrar a operação, Priscila defende uma expansão sem práticas agressivas contra concorrentes. Para ela, o mercado fitness ainda tem espaço porque a maior parte da população não frequenta academias.
“A gente quer continuar crescendo de forma honesta, de forma ética, tanto para concorrentes quanto internamente com os nossos colaboradores, com os nossos clientes. Não precisa o nosso funcionário lá na porta do concorrente panfletar, querer arrancar aluno do concorrente. Ainda mais no nosso mercado, onde 95% das pessoas não estão em academia nenhuma”, afirmou.
A rede busca ampliar o público consumidor em vez de concentrar esforços apenas na disputa por alunos de outras academias.
Tecnologia ajuda na escolha dos pontos
A escolha de novos endereços combina dados e leitura de mercado. Segundo Priscila, a Gaviões usa um sistema que avalia circulação de pessoas, potencial da região, concorrência e precificação.
A decisão, porém, também passa por sensibilidade na análise do bairro. A CEO afirma que a rede funciona tanto em regiões nobres quanto em áreas de periferia.
O plano inicial era avançar primeiro em capitais e depois no interior, mas a demanda de franqueados alterou parte da rota de expansão.
Padrão é acompanhado por auditorias
Para controlar a qualidade das unidades, a rede acompanha auditorias e pesquisas de satisfação por academia. O objetivo é identificar falhas de atendimento, operação e experiência antes que elas afetem a marca.
Priscila também mantém o hábito de ouvir alunos pessoalmente durante visitas às unidades.
“Eu gosto de saber da satisfação do aluno, mesmo que a gente tem lá toda aquela tecnologia entregando as respostas. Mas nada como no tête-à-tête, você estar ali dentro do seu empreendimento e ouvir do cliente um elogio, uma reclamação, para você ter uma percepção e poder fazer outras perguntas”, afirmou.
