As ações da Azul protagonizaram um movimento histórico no mercado financeiro nesta segunda-feira (23), consolidando uma trajetória de forte valorização após a conclusão oficial do seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11).
Após fechar a última sexta-feira com uma alta de 60%, os papéis da companhia aérea voltaram a disparar no pregão de hoje, atingindo uma valorização de 33,96% e alcançando o patamar de R$ 320,25, o que levou os ativos a entrarem temporariamente em leilão por oscilação máxima.
A euforia dos investidores é reflexo direto do saneamento financeiro anunciado pela empresa. A Azul emergiu do processo com uma redução de aproximadamente US$ 1,1 bilhão em suas dívidas e um corte superior a 50% em suas despesas anuais com juros.
Esse movimento de desalavancagem permite que a companhia retome suas operações com uma relação dívida líquida/EBITDA inferior a 2,5 vezes, patamar considerado saudável para o setor aéreo.
Para garantir o fôlego necessário na saída do Chapter 11, a Azul costurou parcerias estratégicas com gigantes americanas. A United Airlines injetou R$ 550 milhões na companhia, enquanto um compromisso de investimento de igual valor foi firmado com a American Airlines — este último ainda aguardando o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Em entrevista à Reuters, o CEO da companhia, John Rodgerson, celebrou a nova fase, afirmando que a prioridade agora é o “crescimento responsável” com um balanço patrimonial devidamente limpo.
O sucesso da reestruturação da Azul é visto por analistas como um marco positivo para o setor de aviação no Brasil, que enfrentou severas dificuldades nos últimos anos. Com a injeção de capital estrangeiro e a redução drástica do endividamento, a empresa se posiciona de forma competitiva para expandir sua malha e renovar sua frota, livre das pressões imediatas que caracterizaram o período sob proteção judicial.
