Ações da easyJet disparam após oferta de aquisição de US$ 7,3 bilhões

As ações da easyJet registraram uma forte valorização de 11,4% no pregão desta segunda-feira (6), repercutindo o anúncio feito no domingo de um acordo preliminar para a venda do controle da companhia aérea de baixo custo (low-cost) europeia. A empresa de investimentos norte-americana Castlelake estruturou uma proposta firme de 5,5 bilhões de libras (o equivalente a US$ 7,34 bilhões). O movimento ocorre após a rejeição de quatro ofertas anteriores e tem potencial para redesenhar a governança e o mapa de consolidação da aviação civil no continente europeu.

Apesar do forte rali comprador que levou os papéis à máxima de £ 6,22 durante a manhã — operando posteriormente em alta de 9,8% a £ 6,12 —, as cotações em bolsa permanecem significativamente abaixo do preço estipulado na proposta de aquisição de £ 6,90 por ação. O comportamento do mercado acionário sinaliza ceticismo, com investidores embutindo uma probabilidade superior a 30% de que a transação para o fechamento de capital enfrente barreiras regulatórias concorrenciais ou resistência de blocos de acionistas minoritários antes de sua aprovação final.

A nova oferta da gestora Castlelake representa uma vitória tática para o conselho de administração da easyJet, que vinha sustentando uma postura defensiva para valorizar os ativos da companhia aérea. O valor de £ 6,90 por papel confere um prêmio de quase 24% sobre o preço de fechamento das ações da easyJet na última sexta-feira, aproximando-se do teto de £ 7,00 demandado por grandes fundos institucionais.

Sob a liderança da Castlelake, o interesse na aérea britânica desencadeou uma valorização acumulada superior a 50% nas ações da empresa desde que as primeiras tratativas públicas vieram a tona, no final de maio.

O desenho financeiro do M&A foi estruturado de forma híbrida, incluindo uma opção de pagamento integral em dinheiro para a saída dos investidores ou uma alternativa de manutenção de participação acionária parcial na nova estrutura privada.

A ofensiva da Castlelake para fechar o capital da easyJet se materializa em um cenário operacional altamente desafiador para as transportadoras europeias de passageiros. O setor de aviação enfrenta uma severa compressão de margens de lucro decorrente da escalada global nos preços do querosene de aviação (QAV).

A volatilidade nos custos dos combustíveis tem sido severamente pressionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, sobretudo o conflito envolvendo o Irã, que ameaça rotas de navegação e o fornecimento global de petróleo, acelerando a necessidade de as companhias aéreas buscarem o suporte de grandes fundos de Private Equity para garantir musculatura de caixa.

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