As ações da Nintendo recuaram 7% na bolsa de Tóquio nesta segunda-feira, pressionadas por uma combinação de fatores que preocupa investidores: o aumento no preço do Switch 2 e uma perspectiva de vendas para o ano fiscal corrente abaixo das expectativas do mercado. O movimento contrasta com o desempenho da rival Sony, cujos papéis subiram 10% no mesmo pregão.
A empresa registrou vendas robustas de hardware no ano fiscal encerrado em março, mas sua projeção para os próximos meses decepcionou. Conhecida por adotar metas conservadoras — que historicamente supera —, a Nintendo desta vez não convenceu o mercado. O analista da Morningstar Kazunori Ito apontou que a queda prevista no volume de remessas de jogos “pode sinalizar que a Nintendo não tem confiança em seus projetos futuros”, embora ele mesmo classifique o pessimismo como exagerado, dado que o engajamento dos usuários tende a acelerar no segundo ano de ciclo de um console.
No campo dos títulos, a companhia sediada em Kyoto prolongou a vida útil do Switch original com jogos de franquias consolidadas como “The Legend of Zelda” e colheu sucessos pontuais como “Pokémon Pokopia”. Ainda assim, o mercado enxerga a empresa como carente de grandes lançamentos com potencial de blockbuster para impulsionar a adoção do novo hardware. Analistas da Jefferies, no entanto, apostam que a Nintendo lançará um jogo AAA da franquia Mario ainda este ano — aposta que, se confirmada, pode mudar o cenário. “A meta de projeção é baixa propositalmente — a Nintendo superou a projeção inicial de lucro operacional em cada um dos últimos quatro anos fiscais”, escreveu o analista Atul Goyal.
O aumento de preços adiciona outra camada de risco. A partir de 25 de maio, o Switch 2 no mercado japonês passará a custar 59.980 ienes, alta de 10.000 ienes em relação ao valor anterior. Nos Estados Unidos e em outros mercados, os reajustes entram em vigor a partir de 1º de setembro. O timing é delicado: os fabricantes de eletrônicos enfrentam pressão de alta nos preços dos chips de memória, e a base de consumidores da Nintendo é formada em grande parte por jogadores casuais, considerados particularmente sensíveis a aumentos de preço.
A situação expõe uma vulnerabilidade estrutural da Nintendo em relação à Sony. Enquanto a fabricante do PlayStation atua em negócios diversificados — de sensores de imagem a serviços financeiros —, a Nintendo segue altamente dependente de seu segmento de jogos, mesmo com seus personagens e propriedades intelectuais conquistando espaço em filmes e parques temáticos. “A Sony está em uma posição muito melhor para repassar os custos mais altos dos chips de memória aos consumidores”, avaliou Amir Anvarzadeh, da Asymmetric Advisors.
A Sony, por sua vez, projetou vendas menores, mas lucros maiores em seu negócio de jogos para o período. Com o PlayStation 5 já consolidado no mercado há mais tempo, a empresa opera em um momento de ciclo mais maduro e previsível. A fabricante também anunciou uma nova joint venture com a TSMC para desenvolver e produzir sensores de imagem no Japão, movimento que busca reduzir custos e ampliar o controle sobre sua cadeia produtiva.
O pregão desta segunda-feira deixa clara a divergência de percepção dos investidores sobre os dois gigantes japoneses do setor. Enquanto a Sony é vista como bem posicionada para navegar o atual ambiente de pressão de custos, a Nintendo enfrenta o desafio de convencer o mercado de que o Switch 2 tem fôlego — e catálogo — suficientes para repetir o sucesso do console anterior.
