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Home Meio Ambiente

Acordo de Paris 10 anos: os desafios climáticos globais em 2026

Julia Alves Barreto por Julia Alves Barreto
17/02/2026 - Atualizado em: 18/02/2026
em Meio Ambiente
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Foto: Pixabay

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O Acordo de Paris completa 10 anos em meio a um cenário climático ainda crítico. Adotado em 12 de dezembro de 2015, na COP21, o tratado reuniu 195 países em torno de um compromisso inédito: limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Nesse intervalo de uma década, contudo, as emissões globais de gases de efeito estufa continuaram a crescer. Sendo assim, o mundo segue distante de cumprir a meta central do pacto.

Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, 2026 deve marcar o início de uma nova década de implementação. Para tanto, a cooperação internacional, o financiamento climático e a aceleração das transições energéticas figuram entre as prioridades urgentes apontadas pelo dirigente.

O que o Acordo de Paris 10 anos de vigência revelou?

O tratado entrou em vigor em novembro de 2016 e opera em ciclos de cinco anos. Nesse modelo, cada país apresenta ou atualiza seus planos climáticos, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Além disso, os documentos detalham estratégias de adaptação e diretrizes de longo prazo para orientar economias rumo à neutralidade de carbono.

Entre os avanços reconhecidos ao longo da década, destacam-se a consolidação de mecanismos como o Fundo de Perdas e Danos e as regras para mercados de carbono, aprovadas no âmbito do Artigo 6. Da mesma forma, muitos países incorporaram a ação climática como prioridade em suas agendas nacionais. Nesse contexto, leis e planos de mitigação avançaram mesmo durante os períodos em que grandes potências se afastaram do acordo.

Por outro lado, os resultados ainda ficam aquém do necessário. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), as emissões globais precisam cair 43% até 2030 para que a meta de 1,5°C permaneça ao alcance. Em 2024, o planeta registrou seu ano mais quente desde que há registros, com temperatura média 1,6°C acima dos níveis pré-industriais.

Quais são os principais desafios climáticos em 2026?

O Acordo de Paris 10 anos enfrenta um cenário geopolítico adverso. Em janeiro de 2026, os Estados Unidos formalizaram sua segunda saída do tratado, medida anunciada ainda no início do governo Trump. Com isso, o país se juntou aos únicos quatro não signatários: Iêmen, Irã, Líbia e Eritreia.

Apesar dessa instabilidade, o acordo manteve sua resiliência institucional. Nenhum outro país o abandonou até o momento. Ademais, a COP30, realizada em Belém em novembro de 2025, reafirmou o compromisso de mais de 80 nações com a transição energética e o combate ao desmatamento.

Todavia, os planos climáticos apresentados pelos países seguem insuficientes. O Relatório de Síntese de 2025 da ONU apontou que as NDCs vigentes levariam a uma redução projetada de apenas 12% das emissões globais até 2035. Dessa forma, a lacuna entre as metas assumidas e a ação concreta permanece como o principal obstáculo da governança climática internacional.

Financiamento climático: onde está o dinheiro?

O financiamento climático representa outro nó crítico do Acordo de Paris 10 anos. O pacto reconhece a responsabilidade dos países desenvolvidos em liderar esse processo, tanto por meio de transferência de recursos quanto por apoio tecnológico às nações em desenvolvimento. Na prática, contudo, as metas de financiamento foram sistematicamente descumpridas ao longo da última década.

Em paralelo, o setor privado passou a ocupar um papel crescente nessa equação. Especialistas avaliam que, com o financiamento público ameaçado por mudanças políticas em grandes potências, empresas e fundos de investimento precisam preencher lacunas e impulsionar soluções sustentáveis em escala. Por sua vez, o Brasil se comprometeu, na COP30, a liderar uma iniciativa em 2026 voltada à ampliação do financiamento climático para o Sul Global.

O que esperar da próxima década do Acordo?

A partir de 2026, a pressão sobre os governos tende a aumentar. Até 2030, as soluções de carbono zero poderão competir em setores que representam mais de 70% das emissões globais, segundo projeções da ONU. Nesse cenário, a aceleração da transição energética, a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis e o fortalecimento dos mecanismos de transparência surgem como os pilares da próxima fase do acordo.

Cabe destacar que o Quadro de Transparência Reforçado do tratado obriga, desde 2024, que todas as partes reportem suas ações, avanços e apoios prestados e recebidos. Os dados coletados alimentarão o balanço global, instrumento que avalia o progresso coletivo rumo às metas de longo prazo. Por fim, a COP31 surge no horizonte como o próximo momento decisivo para mensurar o quanto o mundo avançou e o quanto ainda precisa avançar.

Tags: Acordo de ParisClimaMeio Ambiente
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