O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, a manutenção da meta de inflação em 3%. Para ele, a Galípolo meta inflação 3% não é uma escolha isolada do Brasil. Pelo contrário, trata-se de um objetivo alinhado ao que outros países praticam, tanto desenvolvidos quanto emergentes.
Da mesma forma, a declaração reforça a posição do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na véspera, Haddad também defendeu publicamente a preservação do objetivo inflacionário. Além disso, Galípolo foi além e afirmou fazer coro ao ministro.
“Faço coro ao ministro Haddad. Quando atualizamos o arcabouço do sistema de metas, mudando de meta de ano-calendário para meta contínua, o Banco Central e a Fazenda fizeram um estudo conjunto”, explicou o presidente do BC durante painel do CEO Conference do BTG Pactual.
Em seguida, Galípolo acrescentou que o BC analisou os padrões adotados por diversas nações nesse processo. “Ela está totalmente em linha com o que a gente observa em outros países”, afirmou.
O verdadeiro debate, segundo Galípolo
Em vez de discutir uma mudança da meta, Galípolo defendeu outra prioridade. Para ele, o Brasil deveria sobretudo entender por que a taxa de juros precisa ser tão elevada para convergir a inflação ao objetivo. Portanto, esse é o problema central, não o percentual da meta.
Além disso, o presidente do BC apontou dois tipos de desafio: conjuntural e estrutural. No campo estrutural, por exemplo, ele citou as transformações que a pandemia de Covid-19 trouxe à economia global. Como resultado, essas mudanças dificultam a leitura dos dados e alteram as respostas da política monetária.
Da mesma forma, Galípolo mencionou as novas formas de trabalho ligadas a plataformas digitais. A chegada da inteligência artificial, segundo ele, amplia ainda mais essa incerteza. “É bastante cedo para conseguir ter algum tipo de conclusão”, afirmou. Por isso, o BC analisa os dados com cautela e ceticismo.
Mercado de trabalho aquecido e baixa produtividade
Galípolo destacou, ainda, que o mercado de trabalho brasileiro segue pressionado. Em primeiro lugar, a taxa de desemprego está na mínima histórica. Além disso, a remuneração cresce acima da inflação e dos níveis de produtividade. Consequentemente, esse cenário exige atenção redobrada da política monetária.
Para o presidente do BC, portanto, o país precisa criar um ambiente mais favorável ao investimento privado. A sustentabilidade desse ambiente depende, por sua vez, de ganhos reais de produtividade. Somente assim o Brasil conseguirá reduzir a dependência de juros tão elevados para controlar os preços.
Por fim, ao encerrar sua participação no painel, Galípolo reafirmou o papel institucional do Banco Central. Independentemente dos fatores que pressionam a inflação, “a função do banqueiro central, no fim das contas, é combater a inflação.”









