AE Volt investe R$ 5 milhões e projeta faturar R$ 216 milhões com testes de baterias

A AE Volt Brasil iniciou suas operações comerciais com um investimento de R$ 5 milhões e a projeção de faturar R$ 216 milhões no primeiro ano. A empresa aposta na demanda por diagnósticos independentes de baterias à medida que os primeiros veículos elétricos usados começam a retornar às concessionárias e lojas multimarcas.

Representante exclusiva no país da francesa MOBA, a companhia utiliza um equipamento conectado à porta de diagnóstico do automóvel para emitir, em menos de dois minutos, um certificado digital sobre a condição da bateria.

O documento informa o chamado State of Health, ou estado de saúde, indicador que compara a capacidade atual da bateria com a registrada quando o componente era novo. O resultado também recebe um QR Code para consulta e verificação digital.

A oportunidade aparece em um mercado que deve terminar 2026 com cerca de 450 mil veículos eletrificados vendidos, segundo projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores mencionada no material.

Diagnóstico busca dar segurança à revenda

A bateria representa uma das partes mais caras de um veículo elétrico e influencia diretamente sua autonomia e seu valor de revenda. Mesmo assim, a negociação de modelos usados ainda costuma ocorrer sem uma avaliação técnica independente que comprove a capacidade restante do componente.

A proposta da AE Volt é transformar o certificado em um documento comparável aos laudos cautelares já utilizados no mercado de seminovos.

“Como você vai aceitar um carro elétrico na troca sem saber o estado real da saúde daquela bateria?”, questiona Gerson Barbosa, fundador e CEO da empresa.

Com mais de 40 anos de experiência no setor automotivo, Barbosa teve cinco lojas de veículos e ocupou cargos de direção em concessionárias antes de estruturar o novo negócio.

Segundo a companhia, o equipamento pode ser utilizado em diferentes marcas de veículos elétricos e híbridos. A leitura considera informações como capacidade disponível, nível de carga, tensão, temperatura das células, resistência interna e possíveis falhas.

Os dados são processados em nuvem e convertidos no certificado entregue ao proprietário, à loja ou ao comprador.

Empresa quer chegar a mil equipamentos

A operação começa com aproximadamente 130 aparelhos distribuídos por parceiros em oito cidades. A meta é encerrar 2026 com mil equipamentos instalados em 15 estados.

A rede inicial será formada principalmente por lojas multimarcas selecionadas a partir dos relacionamentos profissionais construídos pelo fundador no setor automotivo.

O modelo de receita funciona por créditos. Cada diagnóstico realizado por um parceiro consome um crédito adquirido junto à AE Volt. O teste avulso deve custar R$ 1.200.

Caso toda a receita projetada viesse apenas desse serviço, os R$ 216 milhões corresponderiam a aproximadamente 180 mil diagnósticos. A empresa, porém, também prepara planos recorrentes e contratos corporativos.

Entre as possibilidades estudadas está uma assinatura mensal para proprietários acompanharem periodicamente a condição da bateria. Nesse formato, um representante faria os testes no endereço do cliente.

Locadoras e seguradoras entram no radar

A avaliação periódica também pode atender empresas com grandes frotas elétricas.

Locadoras precisam acompanhar o desgaste das baterias ao longo do uso e identificar mudanças na condição dos veículos entre uma devolução e outra. Seguradoras, montadoras e instituições financeiras também podem utilizar os dados para calcular riscos, garantias e valores de revenda.

Segundo Barbosa, a AE Volt já possui reuniões agendadas com companhias desses setores.

Na Europa, a tecnologia da MOBA é utilizada por mais de 100 clientes corporativos. A lista apresentada pela empresa inclui Toyota, Arval, Aramisauto e Emil Frey.

A AE Volt afirma ainda que o certificado possui reconhecimento da CARA, organização europeia ligada à padronização da avaliação e do recondicionamento de veículos.

Dados podem abrir novos negócios

Além da emissão dos certificados, a empresa pretende construir uma base de dados sobre o desempenho das baterias que circulam no Brasil.

A cada teste, a plataforma poderá reunir informações sobre modelos, tempo de uso, capacidade restante, falhas e padrões de desgaste.

“Começamos a entender quais carros costumam ter uma bateria mais duradoura, quais apresentam mais problemas e qual é o tempo médio de vida da bateria”, afirma Victoria Luz, responsável pela área de inteligência artificial da AE Volt.

A proposta é utilizar inteligência artificial para identificar padrões e antecipar problemas. Esses dados poderão sustentar serviços de manutenção preditiva e análises destinadas a locadoras, seguradoras e empresas do mercado financeiro.

A companhia também estuda uma plataforma com oficinas localizadas por geolocalização, informações sobre veículos eletrificados e serviços de acompanhamento técnico. Essas frentes ainda estão em fase de validação.

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