Airbus estabelece meta de quase duplicar o lucro até 2029

A Airbus (AIR.PA) estabeleceu nesta terça-feira uma meta de lucro operacional ajustado entre 12 e 13 bilhões de euros (US$ 13,69 bilhões a US$ 14,83 bilhões) para o ano de 2029. Para reforçar a confiança em sua trajetória financeira, a maior fabricante de aeronaves do mundo anunciou paralelamente um programa de recompra de ações no montante de 5 bilhões de euros, sinalizando um horizonte de expansão contínua de rentabilidade impulsionado pelo aumento da cadência de produção.

A meta apresentada ao mercado financeiro projeta quase o dobro do lucro operacional ajustado (EBIT) de 7,13 bilhões de euros registrado pela companhia em 2025. O guidance de longo prazo situa-se também bastante acima da meta intermediária fixada para 2026, de 7,5 bilhões de euros, projeção que foi mantida inalterada pela diretoria. A alavancagem dos resultados deve-se ao ritmo acelerado de entregas para atender à forte demanda reprimida do setor aéreo mundial.

De acordo com o plano estratégico divulgado, a divisão de aeronaves comerciais responderá pelo principal motor gerador de caixa do grupo, sendo projetada para entregar isoladamente cerca de 10 bilhões de euros em resultado operacional até 2029. A projeção oficial ratifica o otimismo recente do mercado; em relatórios emitidos no início deste mês, analistas do JP Morgan já antecipavam que a divisão de jatos comerciais atingiria esse patamar de lucratividade dentro de um janela de três anos.

A revisão nas metas ocorre em um momento de normalização operacional após um início de ano desafiador. Embora gargalos na cadeia global de suprimentos e o desabastecimento de turbinas tenham contido o ritmo de montagem no primeiro trimestre, a Airbus conseguiu acelerar a produção nos meses subsequentes, fechando o primeiro semestre com uma expansão de 15% no volume de entregas de aeronaves na comparação anual.

O cenário operacional ganha fôlego adicional com a gradual superação da crise de componentes que afetou toda a indústria aeroespacial nos últimos dois anos. Em sinalização concomitante divulgada nesta terça-feira, a fornecedora de motores Pratt & Whitney indicou que as paralisações de manutenção corretiva — responsáveis por manter centenas de jatos comerciais em solo ao redor do mundo — começam a arrefecer de forma sustentável.

A combinação entre a normalização na entrega de insumos críticos e a forte demanda por novas frotas consolida o posicionamento da Airbus frente à concorrente Boeing no mercado de aviação comercial. Com o balanço protegido e o cronograma de entregas restabelecido, a fabricante europeia busca assegurar previsibilidade de caixa aos acionistas ao mesmo tempo em que financia a expansão de sua capacidade industrial para a próxima década.

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