A disputa bilionária no mercado de medicamentos para emagrecimento e controle de diabetes atingiu um novo ápice de tensão jurídica no tribunal federal de Nova Jersey. A dinamarquesa Novo Nordisk abriu um processo contra a rival americana Eli Lilly, acusando a concorrente de veicular campanhas de publicidade enganosa em escala nacional para promover seus fármacos Zepbound e Mounjaro em detrimento do Wegovy e do Ozempic.
A petição fundamenta-se na alegação de que a Eli Lilly tem utilizado deliberadamente dados científicos e ensaios clínicos desatualizados em anúncios de grande alcance na televisão e nas redes sociais. A estratégia da farmacêutica americana consistiria em comparar os resultados das dosagens máximas aprovadas de seus produtos contra dosagens inferiores do Wegovy e do Ozempic, omitindo intencionalmente os dados das versões de maior concentração e eficácia lançadas recentemente pela fabricante dinamarquesa.
Em um dos exemplos citados na ação, a Novo Nordisk destaca comerciais que atribuem ao Zepbound uma perda de peso média de cerca de 22,6 kg (50 libras), enquanto associam ao Wegovy uma redução de apenas 15 kg (33 libras).
A acusação pondera que o comparativo ignora os estudos do estudo da dose mais elevada de 7,2 mg do Wegovy, aprovada regulatoriamente, cujos resultados mostram uma perda de peso média na casa dos 21,3 kg (47 libras) — patamar em extrema equivalência competitiva.
A investida judicial ocorre após a Novo Nordisk ter enviado uma notificação extrajudicial em abril solicitando a interrupção das peças publicitárias. Segundo os advogados do grupo dinamarquês, a Eli Lilly recusou-se a retirar os anúncios de circulação, limitando-se a incluir avisos em letras miúdas no rodapé das campanhas — medida classificada na petição como ambígua, virtualmente invisível e incapaz de corrigir a impressão enganosa criada junto ao grande público.
Com a ação respaldada na legislação federal e estadual sobre concorrência desleal, a Novo Nordisk exige uma liminar para a interrupção imediata das veiculações, a execução de uma campanha publicitária corretiva pela rival e o ressarcimento por danos financeiros. A batalha nos tribunais reflete a urgência das duas companhias em resguardar sua fatia em um mercado global de agonistas de GLP-1 projetado para ultrapassar os US$ 100 bilhões de faturamento até o final desta década.









