Combustível mais caro pressiona produção no campo
A alta recente do diesel já impacta diretamente os custos do agronegócio brasileiro, ao encarecer operações agrícolas e elevar o risco financeiro em um momento decisivo do calendário produtivo. Em pouco mais de um mês, o combustível acumulou alta superior a 20 por cento, impulsionado pela valorização do petróleo em meio a tensões no Oriente Médio.
O efeito é imediato nas lavouras. O custo de produção aumentou entre R$ 40 e R$ 355 por hectare, dependendo da cultura, o que pode gerar impacto adicional de cerca de R$ 7,2 bilhões para o setor.
Como o diesel é essencial para o funcionamento de máquinas agrícolas e transporte, a elevação do preço atinge todas as etapas da produção, da preparação do solo até o escoamento da safra.
Impacto varia entre culturas e reduz margens
O efeito do aumento não é uniforme e depende da intensidade de uso de máquinas em cada cultura. A cana de açúcar aparece como a mais afetada, com custos adicionais que podem superar R$ 300 por hectare, devido à alta mecanização e ao uso contínuo de equipamentos no campo.
Já culturas como milho e soja registram impactos menores em termos absolutos, com aumento entre cerca de R$ 40 e R$ 75 por hectare, refletindo menor intensidade operacional por área.
Além da produção, o diesel também pesa na logística. O Brasil depende majoritariamente do transporte rodoviário, o que faz com que a alta do combustível encareça o frete e reduza o preço recebido pelo produtor.
Esse cenário comprime as margens do setor, especialmente em um momento em que os preços agrícolas nem sempre acompanham a elevação dos custos. Caso a alta do diesel persista, o impacto total pode ultrapassar R$ 14 bilhões, ampliando a pressão sobre decisões de plantio e investimento no campo.








