Amazon fecha um acordo de US$ 11,57 bilhões para adquirir a empresa de satélites Globalstar

A Amazon oficializou nesta terça-feira a aquisição da Globalstar por US$ 11,57 bilhões, em um movimento estratégico para consolidar seu negócio de satélites e desafiar a hegemonia da Starlink, de Elon Musk. O acordo garante à gigante do varejo e tecnologia o acesso à rede de órbita baixa da Globalstar, essencial para acelerar o desenvolvimento de seus serviços de conectividade global. Após o anúncio, as ações da Globalstar saltaram mais de 9% nas negociações pré-mercado, refletindo o otimismo dos investidores com a fusão.

Pelo contrato estabelecido, os acionistas da Globalstar terão a opção de converter seus papéis em US$ 90 em dinheiro ou receber 0,3210 ações ordinárias da Amazon para cada ação que possuírem. A transação ocorre em um momento de expansão da rede da Amazon, que projeta colocar cerca de 3.200 satélites em operação até 2029, com metas regulatórias rigorosas para julho de 2026. Atualmente, a empresa opera uma infraestrutura modesta de 200 unidades, enquanto se prepara para lançar comercialmente sua internet via satélite ainda este ano.

A aquisição coloca a Amazon em uma rota de colisão direta com a SpaceX, cuja unidade Starlink já possui aproximadamente 10.000 satélites em órbita e atende a nove milhões de usuários mundialmente. A Globalstar, sediada na Louisiana, traz para a Amazon uma expertise valiosa, sendo reconhecida por alimentar recursos críticos da Apple, como o “SOS de Emergência”. A incorporação desses ativos deve permitir que a Amazon ofereça serviços mais robustos de voz, dados e rastreamento para os mercados governamental e corporativo.

Em um desdobramento paralelo, a Amazon firmou um acordo com a Apple para garantir a continuidade dos serviços de segurança via satélite para usuários de iPhone e Apple Watch. A Apple, que investiu cerca de US$ 1,5 bilhão na Globalstar, manterá os recursos de emergência e localização operando sob a nova estrutura proprietária. Essa cooperação entre as gigantes de tecnologia assegura a manutenção de serviços vitais enquanto a infraestrutura de satélites da Globalstar é expandida para as 54 unidades previstas em seu plano de desenvolvimento.

A conclusão definitiva da compra está prevista para o próximo ano, dependendo ainda do aval de órgãos regulatórios e do cumprimento de cronogramas técnicos de lançamento de satélites. Se concretizada, a transação redefinirá o cenário das telecomunicações espaciais, transformando a Amazon em uma das poucas concorrentes com escala para rivalizar com o império de Elon Musk. O mercado agora aguarda os próximos passos regulatórios, que serão decisivos para o início da operação integrada das duas redes.

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