Após deixar recuperação judicial, Azul recebe upgrade da S&P

A agência de classificação de risco S&P Global elevou o rating da Azul (AZUL4) na Escala Nacional Brasil para “brBBB-“, atribuindo ainda uma perspectiva estável para a companhia aérea. A decisão ocorre em um momento estratégico para a empresa e sinaliza uma recuperação de sua credibilidade financeira perante o mercado.

De acordo com o relatório da agência, o upgrade é um reflexo direto da saída bem-sucedida da Azul de seu processo de reestruturação financeira (Chapter 11). A S&P destacou que a companhia agora opera com uma estrutura de capital significativamente mais leve, resultado das negociações que permitiram o equacionamento de dívidas e a otimização de obrigações financeiras.

A conclusão do processo de Chapter 11 da Azul, finalizada formalmente em 20 de fevereiro de 2026, é considerada um dos marcos de reestruturação mais rápidos e eficientes do setor aéreo global, durando menos de nove meses. Diferente de uma falência comum, o Chapter 11 (a lei de recuperação judicial dos EUA) permitiu que a empresa continuasse operando todos os seus 800 voos diários enquanto renegociava bilhões em dívidas com credores e arrendadores de aviões.

A perspectiva estável indica que a agência projeta a manutenção de um desempenho operacional sólido nos próximos meses. A expectativa é que a Azul consiga sustentar uma estrutura de capital enxuta, mantendo seus níveis de alavancagem sob controle, mesmo diante dos desafios de custos e demanda do setor aéreo brasileiro.

Enquanto a Azul celebra o upgrade, a Gol permanece sob o escrutínio de classificações que indicam inadimplência ou risco iminente (Default), reflexo de uma reestruturação mais lenta e de uma exposição maior à volatilidade cambial e do preço do combustível sem o mesmo “colchão” de capital que suas concorrentes garantiram recentemente.

Já a LATAM consolidou-se como a “fortaleza” do setor após sua reestruturação precoce. Ela opera com a melhor métrica de crédito, impulsionada por uma diversificação geográfica que a Azul e a Gol não possuem, o que a protege de variações severas apenas na economia brasileira.

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