O Brasil começou a ampliar investimentos na produção de grão-de-bico, lentilha e outras leguminosas para reduzir dependência das importações e fortalecer o abastecimento interno.
Segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), produtores, pesquisadores e empresas do setor agropecuário vêm acelerando projetos ligados ao cultivo dessas culturas no país.
A estratégia busca transformar o Brasil em um mercado mais competitivo no segmento de pulses, grupo que reúne leguminosas secas destinadas à alimentação humana, como feijões, lentilhas, ervilhas e grão-de-bico.
Produção nacional de grão-de-bico cresce no Cerrado
O grão-de-bico aparece como uma das culturas que mais avançam no país.
A produção ainda é considerada pequena, mas vem crescendo em estados como Goiás, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Distrito Federal.
O avanço é impulsionado principalmente por pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, que desenvolveu variedades adaptadas às condições climáticas brasileiras.
Hoje, o Brasil ainda importa praticamente todo o grão-de-bico consumido no mercado interno, principalmente da Argentina e do México.
Lentilha ainda depende de importações
A lentilha segue cenário semelhante.
A produção brasileira permanece limitada e concentrada principalmente na região Sul do país.
Pesquisadores tentam adaptar a cultura ao Cerrado por meio de sistemas irrigados e novas técnicas agrícolas.
Segundo o USDA, a lentilha pode se tornar alternativa importante para rotação de culturas com soja e milho, aumentando a renda dos produtores durante períodos de entressafra.
Mercado plant-based impulsiona demanda
Outro segmento em expansão envolve a produção de ervilhas voltadas à indústria de alimentos plant-based.
O crescimento global do consumo de proteínas vegetais aumentou a demanda por ingredientes derivados de ervilhas e outras leguminosas.
Especialistas avaliam que o movimento pode estimular novos investimentos na produção nacional nos próximos anos.
Brasil busca reduzir dependência externa
O objetivo do setor é diminuir gradualmente a necessidade de importação dessas culturas.
Atualmente, boa parte da lentilha e do grão-de-bico consumidos no Brasil ainda vem do exterior.
Produtores enxergam potencial de crescimento principalmente em regiões do Cerrado com irrigação e condições climáticas favoráveis.
Exportações de leguminosas avançam
O relatório do USDA também aponta crescimento das exportações brasileiras de leguminosas.
Em 2025, as vendas externas do setor cresceram 30%, alcançando US$ 443,3 milhões e mais de 533 mil toneladas exportadas.
Grande parte desse avanço foi impulsionada pelo feijão-mungo, cuja demanda internacional é puxada principalmente pela Índia.
Analistas avaliam que o Brasil pode ampliar participação global nesse mercado nos próximos anos.
Consumo de feijão segue em queda
Enquanto novas leguminosas avançam, o tradicional feijão enfrenta redução no consumo interno.
Dados citados pelo USDA mostram que o consumo per capita caiu cerca de 50% nas últimas décadas no Brasil.
Especialistas apontam mudanças nos hábitos alimentares, crescimento do consumo de ultraprocessados e redução do tempo disponível para cozinhar como fatores que explicam a queda.
Mesmo assim, arroz e feijão continuam entre os principais alimentos da dieta brasileira.
Agro enfrenta desafios para expansão
Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta obstáculos importantes.
Entre os principais desafios estão oscilações climáticas, custos elevados de fertilizantes, concorrência com soja e milho e limitações logísticas.
Discussões em comunidades online também mostram divergências sobre competitividade, infraestrutura e sustentabilidade do agronegócio brasileiro.
Especialistas avaliam que variedades mais produtivas, irrigação e tecnologia agrícola serão fundamentais para ampliar a competitividade brasileira no mercado global de leguminosas.
