O bloqueio de quase metade dos recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) acendeu um alerta entre representantes do agronegócio. Para o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion, a medida pode aumentar os custos de produção no campo e gerar reflexos na inflação dos alimentos.
O governo federal contingenciou R$ 461,7 milhões do orçamento do programa, valor que representa cerca de 45,7% de toda a contenção realizada no Ministério da Agricultura e Pecuária em 2026.
Seguro rural é ferramenta de proteção contra perdas
O seguro rural é considerado um dos principais instrumentos de proteção para produtores diante de eventos climáticos extremos, como secas, enchentes, geadas e tempestades.
Por meio do programa, o governo subsidia parte do valor das apólices contratadas pelos produtores, reduzindo o custo da proteção e incentivando a contratação do seguro.
Sem esse apoio, especialistas afirmam que muitos agricultores podem optar por não contratar cobertura ou enfrentar custos significativamente maiores para proteger suas lavouras.
Custos podem ser repassados ao consumidor
Segundo Lupion, a redução dos recursos destinados ao seguro rural pode tornar a produção agropecuária mais arriscada e mais cara.
Com menor acesso à proteção contra perdas climáticas, produtores tendem a incorporar esse risco aos custos de produção, o que pode impactar os preços dos alimentos ao consumidor final.
A preocupação aumenta em um cenário de eventos climáticos cada vez mais frequentes e imprevisíveis, que elevam a necessidade de mecanismos de proteção financeira no campo.
Setor teme impactos na próxima safra
Representantes do agronegócio avaliam que a safra de inverno tende a ser menos afetada devido à liberação de recursos realizada anteriormente. No entanto, há receio em relação à safra de verão, considerada a principal temporada agrícola do país.
Relatos internos do setor indicam que, sem a recomposição dos recursos, parte das contratações de seguro previstas para os próximos meses poderá ficar comprometida.
Ajuste fiscal motivou bloqueio
O contingenciamento faz parte das medidas adotadas pelo governo para cumprir as metas fiscais previstas para 2026.
Além do seguro rural, outras áreas ligadas ao agronegócio também sofreram restrições orçamentárias, incluindo programas de fomento agropecuário, pesquisa e investimentos ligados à Embrapa.
O Ministério da Agricultura ainda não detalhou se haverá recomposição dos recursos ao longo do ano.
Debate deve avançar no Congresso
A Frente Parlamentar da Agropecuária pretende discutir alternativas para reverter ou minimizar os impactos do bloqueio.
Parlamentares ligados ao setor defendem que o seguro rural seja tratado como uma política estratégica para a segurança alimentar e para a estabilidade da produção agrícola brasileira.
Especialistas destacam que, além de proteger produtores, o programa contribui para reduzir oscilações na oferta de alimentos e ajuda a evitar pressões inflacionárias decorrentes de perdas climáticas severas.
Clima reforça importância do seguro
O debate ocorre em um momento de crescente preocupação com os impactos climáticos sobre a produção agrícola.
Secas prolongadas, chuvas excessivas e fenômenos como o El Niño têm aumentado a exposição do agronegócio a riscos operacionais e financeiros.
Nesse contexto, o seguro rural é visto por entidades do setor como uma ferramenta essencial para garantir previsibilidade aos produtores e maior estabilidade à cadeia de abastecimento nacional.








