Azul capta R$ 7,2 bilhões no exterior com emissão de títulos

IATA Revisa Projeções, Mas Setor Aéreo Ainda Espera Lucro Recorde em 2025

Azul/Divulgação

A Azul comunicou ao mercado que sua subsidiária, Azul Secured Finance LLP, finalizou na última sexta-feira (6) uma oferta privada de títulos de dívida no exterior, levantando o montante de US$ 1,375 bilhão (cerca de R$ 7,18 bilhões). A operação envolve a emissão de notas seniores com garantia prioritária, que oferecem uma remuneração de 9,875% ao ano e possuem vencimento programado para 2031.

De acordo com o fato relevante divulgado pela companhia aérea, essa captação desempenha um papel central na estratégia financeira da empresa. Os recursos obtidos serão utilizados como exit financing (financiamento de saída) no contexto do plano de reestruturação aprovado sob o Chapter 11 — a legislação de recuperação judicial dos Estados Unidos. Com essa movimentação, a Azul busca cumprir as etapas finais de seu processo de reorganização financeira e operacional no mercado norte-americano.

Ao garantir o exit financing (financiamento de saída), a empresa sinaliza ao mercado que tem capacidade de honrar os compromissos estabelecidos no plano de reestruturação do Chapter 11, afastando riscos mais drásticos de liquidez ou de falha na execução do plano. Para os acionistas, isso remove o “risco existencial”, o que tende a reduzir a volatilidade extrema associada ao papel e pode destravar valor nas ações, visto que a empresa garante fôlego operacional até 2031.

No entanto, o otimismo deve ser moderado pelo custo dessa captação. Uma taxa de juros de 9,875% em dólar é considerada elevada, refletindo o prêmio de risco que os investidores estrangeiros ainda exigem de companhias aéreas de mercados emergentes. Isso significa que, embora a Azul resolva o problema do caixa agora, ela aumentará sua despesa financeira futura em moeda forte. Como a maior parte da receita da empresa é em reais e essa nova dívida é em dólares, a companhia permanece altamente sensível às oscilações cambiais. O sucesso dessa estratégia a longo prazo dependerá crucialmente da capacidade da empresa em manter margens operacionais (EBITDA) robustas para servir essa dívida mais cara.

Para o setor aéreo brasileiro como um todo, a notícia traz um alívio indireto. Ela demonstra que, apesar das dificuldades macroeconômicas e do histórico recente de crises no setor (como a recuperação judicial da Gol), ainda há apetite do mercado internacional de capitais para financiar a aviação na América Latina, desde que os termos sejam atrativos para os credores. Isso coloca a Azul em um estágio de recuperação aparentemente mais avançado que sua concorrente direta, a Gol, diferenciando as teses de investimento: enquanto a Azul foca agora na execução operacional pós-reestruturação, a concorrência ainda lida com definições mais básicas de sua própria reorganização.

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