O Banco Central do Brasil deve reduzir a taxa Selic de 14,75% para 14,5% ao ano na reunião desta quarta-feira, segundo expectativa majoritária de economistas consultados pela Bloomberg. Se confirmada, será a segunda queda consecutiva dos juros em 2026.
A projeção reflete um ambiente de atividade econômica mais fraca e juros reais ainda elevados, fatores que abriram espaço para o início do ciclo de afrouxamento monetário em março. Na reunião anterior, a autoridade monetária já havia iniciado os cortes após meses de estabilidade.
Mesmo assim, analistas esperam um movimento moderado. A avaliação predominante é de que o Copom seguirá reduzindo juros em ritmo lento para evitar pressão adicional sobre os preços e sobre o câmbio.
Dados recentes de inflação reforçaram esse cenário misto. O IPCA-15 de abril subiu 4,37% em 12 meses, abaixo das previsões do mercado, mas ainda acima do centro da meta oficial de 3%.
Além disso, combustíveis e alimentos continuam pressionando índices de preços, o que exige cautela adicional da política monetária.
Inflação e fiscal limitam espaço para novas quedas
Segundo a Bloomberg, o choque recente nos preços de energia e novas medidas de estímulo fiscal reduziram a margem para cortes mais intensos da Selic no curto prazo. Por isso, o Banco Central tende a adotar comunicação conservadora após a decisão.
Investidores acompanharão especialmente o comunicado do Copom em busca de sinais sobre os próximos encontros. Se o texto indicar preocupação maior com inflação, o ritmo de queda pode desacelerar nas próximas reuniões.
Ao mesmo tempo, juros ainda elevados ajudam no controle de preços, mas encarecem crédito para famílias e empresas. Dessa forma, a autoridade monetária precisa equilibrar combate à inflação e estímulo ao crescimento econômico.
Outro ponto de atenção envolve a composição da diretoria do Banco Central. Três das nove cadeiras não participariam integralmente da reunião desta semana, incluindo vagas ainda não preenchidas pelo governo federal.
Por fim, a expectativa de corte para 14,5% mostra continuidade do ciclo de flexibilização. Assim, os próximos passos dependerão principalmente da trajetória da inflação, do cenário fiscal e do ambiente externo.








